Marcos Moreno - Europa Press
ESTRASBURGO (FRANÇA), 15 (EUROPA PRESS)
O Partido Popular e o Vox sugeriram nesta terça-feira que a União Europeia suspenda as relações com o Marrocos em resposta à crise registrada em Ceuta, com a entrada em massa de migrantes ocorrida nos dias 30 e 31 de julho, poucas horas antes do debate que terá lugar no Parlamento Europeu.
Em uma coletiva com jornalistas, entre os quais a Europa Press, em Estrasburgo, ambas as formações se referiram a uma reação europeia diante da crise ocorrida no enclave espanhol, apontando para o Acordo de Associação que rege as relações com Rabat.
“É difícil aspirar a uma relação política e comercial normalizada com o Marrocos, quando nem mesmo os corpos das vítimas de afogamento foram autorizados a ser repatriados para serem enterrados em solo marroquino”, afirmou o eurodeputado Javier Zarzalejos, antes do debate parlamentar.
O Parlamento Europeu aprovará uma resolução nesta quinta-feira que, de acordo com o texto proposto pelo Partido Popular Europeu, não vai tão longe e ressalta que Marrocos deve assumir sua responsabilidade e cumprir seus compromissos em matéria de gestão de fronteiras, referindo-se ao fato de que as reivindicações de soberania sobre Ceuta e Melilla são “incompatíveis com um país parceiro”.
Por sua vez, o Vox deixou clara essa posição, quando o eurodeputado Jorge Buxadé afirmou que é preciso “suspender” o Acordo de Associação, juntamente com medidas como um destacamento militar na fronteira para “fechar hermeticamente” a passagem, e erguer cercas mais altas, citando o caso da Finlândia ou dos países bálticos em suas fronteiras com a Rússia e a Bielorrússia.
Buxadé denunciou a falta de avanços nos trâmites burocráticos para repatriar os cidadãos que cruzaram a fronteira ilegalmente. “Já se passaram 46 dias e não temos a lista de quantos foram notificados sobre o início do processo de expulsão. Se ficarem, voltarão em maior número”, afirmou.
Enquanto isso, o eurodeputado do PSOE, Juan Fernando López Aguilar, reivindicou a solidariedade europeia, enfatizando que o debate deve se concentrar no “que a UE pode fazer, em vez de apontar o dedo a um Estado-membro”.
Assim, ele pediu unidade dos 27 diante de situações críticas e que não se viva “um tumulto de pânico”, aludindo ao fato de que a Espanha “não deve ser apontada por ter Ceuta e Melilla” e que o bloco europeu precisa “atuar diplomaticamente junto ao Marrocos” para que este cumpra seus compromissos.
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