Publicado 04/04/2026 06:14

O PP solicita à Mesa do Congresso que anule a "grave anomalia democrática" representada pelo veto às emendas relativas à reincidênci

Archivo - Arquivo - A senadora do PP, Rosa Romero, durante uma sessão plenária no Senado, em 17 de julho de 2025, em Madri (Espanha). A sessão plenária do Senado aprova hoje definitivamente a reforma da lei do Acordo Econômico de Navarra, acordada pelos g
Diego Radamés - Europa Press - Arquivo

MADRID 4 abr. (EUROPA PRESS) -

O PP solicitou formalmente à Mesa da Câmara dos Deputados a reconsideração do acordo adotado em 24 de março passado, pelo qual foi impedida a tramitação de duas emendas incorporadas pelo Senado à Proposta de Lei Orgânica em matéria de reincidência múltipla, e pediu a anulação dessa decisão, considerando que impedir seu debate constitui uma “grave anomalia democrática”.

As duas emendas foram aprovadas por maioria absoluta no Plenário do Senado em 18 de março e contemplam, segundo o PP, por um lado, o reforço da estrutura do Ministério Público e, por outro, a incorporação de medidas para “evitar a impunidade e reforçar a segurança cidadã”, especialmente em relação à reincidência múltipla.

Concretamente, a Câmara Alta aprovou uma emenda acordada entre o PP, o Vox e o Junts, que alterava a Lei de Estrangeiros para que, nos processos de regularização de imigrantes, como o que está em andamento pelo Governo, se assegure que o requerente não tenha antecedentes criminais nem processos em andamento e que não esteja sujeito a um processo criminal em andamento na Espanha ou em outros países anteriores.

Também foi aprovada outra proposta do PP que exigia que o Governo aumentasse em dois anos o número de vagas nas Promotorias regionais, provinciais e das comunidades autônomas, na proporção de um promotor para cada 100.000 habitantes ou fração superior a 50.000.

O Governo poderia ter perdido a votação dessas duas emendas no Congresso, mas elas nem chegaram a ser debatidas porque Moncloa vetou sua tramitação, alegando que representavam um custo orçamentário adicional. O veto foi aceito na Mesa da Câmara dos Deputados pela maioria formada pelo PSOE e pelo Sumar, que endossaram o uso, por parte do Executivo, de sua competência para impedir o debate de propostas que implicassem um aumento dos gastos orçamentários ou uma redução das receitas.

Segundo o governo, a votação da emenda relativa à imigração exigiria a contratação de mais 400 funcionários nas delegacias de imigração, com um custo médio de 42.000 euros, o que representaria um aumento orçamentário de 16,78 milhões. E o veto à emenda que defendia o aumento do quadro de promotores foi justificado com o argumento de que implicaria a convocação de 491 vagas de promotores, o que teria um custo extra estimado de 53,79 milhões de euros.

Sem essas duas emendas, a Câmara dos Deputados aprovou definitivamente, em 26 de março, a reforma do Código Penal que visa combater o fenômeno da reincidência múltipla por meio do aumento das penas, uma proposta de lei impulsionada pelo Junts e que o PSOE desbloqueou após o anúncio da ruptura dos independentistas. A modificação contou também com o apoio do PP, PNV, Coalición Canaria e Unión del Pueblo Navarro. O ERC se absteve, enquanto Bildu, Podemos, BNG e Compromís votaram contra.

DECISÃO “ARBITRÁRIA, EXTEMPORÂNEA E INCONSTITUCIONAL”

Em seu escrito de reconsideração, a porta-voz do Grupo Popular, Ester Muñoz, manifesta sua “discordância” com o acordo da Mesa do Congresso que aceitou a discordância do Governo em relação às disposições finais primeira bis e primeira terceira introduzidas no Senado e, consequentemente, impediu sua tramitação pelo Plenário.

O PP sustenta que essa decisão é “arbitrária, extemporânea e inconstitucional”, ao entender que contradiz a doutrina reiterada do Tribunal Constitucional e viola o procedimento legislativo. Em particular, afirma que o Executivo não justificou adequadamente o impacto orçamentário das emendas, requisito que considera “indispensável” para exercer o direito de veto.

O documento, divulgado pela Europa Press, acrescenta, como primeiro argumento, que o Governo não apresentou o Orçamento Geral do Estado em toda a legislatura e que, portanto, não pode invocar um impacto sobre previsões orçamentárias “que não foram previstas”, uma vez que não foram apresentadas as Contas Públicas na atual legislatura.

Como segundo motivo, o PP sustenta que o Governo não pode vetar uma emenda aprovada pelo Plenário do Senado e que aceitar esse veto significaria um “alargamento do poder de veto incompatível com o protagonismo que, em matéria legislativa, a Constituição atribui às Câmaras e à própria Constituição”.

Nessa linha, o PP afirma que, uma vez aprovadas as emendas pelo Senado, nem a Mesa do Congresso nem o Governo podem impedir seu debate e votação no Plenário, e adverte que a maioria desse órgão “arrogou-se a competência que corresponde exclusivamente ao Plenário da Câmara”, o que qualifica como “anomalia democrática inadmissível que é urgente reverter”.

Da mesma forma, o documento sustenta que a decisão recorrida viola o direito ao pleno exercício do cargo representativo “de acordo com a lei”, consagrado no artigo 23.2 da Constituição, ao impedir que o Plenário do Congresso se pronunciasse sobre emendas já aprovadas pelo Senado.

O Grupo Popular acrescenta que essa atuação limita o direito dos deputados de exercer plenamente sua função representativa e “restringe o direito dos cidadãos à participação política, consagrados na Constituição”.

No documento, invocam-se também a violação do artigo 90.2 da Constituição e dos artigos 121, 123 e 111 do Regimento do Congresso, entendendo-se que as emendas do Senado deveriam ser objeto de debate e votação e ser incorporadas ao texto do Congresso caso obtivessem maioria simples.

Por tudo isso, o PP solicita à Mesa do Congresso que decida pela reconsideração do acordo adotado em 24 de março e que, após os trâmites oportunos, declare o referido acordo “nulo de pleno direito”, bem como a nulidade dos atos e normas que dele decorram no processo legislativo, retroagindo seus efeitos à data em que foi adotado. O objetivo é que as emendas possam ser debatidas e votadas no Plenário “na íntegra”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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