Joaquin Corchero - Europa Press - Arquivo
MADRID, 3 abr. (EUROPA PRESS) -
O PP buscará neutralizar o "Não à guerra" que o chefe do Executivo, Pedro Sánchez, pretende utilizar na campanha andaluza, e se empenhará em contrapor o perfil de “gestor” do presidente da Junta da Andaluzia, Juanma Moreno, ao da ex-vice-presidente do Governo e candidata socialista, María Jesús Montero, a quem retratará como a “vice-presidente do cupo” ou a “chefe orgânica” do ex-ministro José Luis Ábalos, segundo indicaram à Europa Press fontes do PP.
Nas fileiras do PP, considera-se certo que, diante das eleições do próximo dia 17 de maio, o chefe do Executivo “explorará” o “Não à guerra” para tentar mobilizar seu eleitorado, como já fez na campanha de Castela e Leão e vem fazendo em suas últimas intervenções públicas.
No último domingo, em uma carta aos militantes do PSOE, Sánchez reivindicou o “Não à guerra” como expressão de “memória, dignidade e compromisso” do país, ao mesmo tempo em que destacou, em plena escalada bélica no Oriente Médio, que a Espanha mantém uma posição “coerente e firme” em defesa da paz.
"NÃO TEM NADA COM QUE CONVENCER SEU ELECTORADO"
Os "populares" acreditam que Sánchez busca mobilizar sua militância, mas prevêem que "as pessoas não vão votar pensando no Irã" nas eleições de 17 de maio. “Na Andaluzia, as pessoas votarão pensando se querem como presidente Juan Moreno ou a vice-presidente da redução, da anistia, dos indultos e da cota, que era a chefe orgânica de Ábalos e de Koldo”, afirmam à Europa Press fontes da cúpula do PP.
Além disso, em “Gênova” sustentam que, se Sánchez precisa recorrer a slogans “vintage” de 23 anos atrás — ao retomar o “Não à guerra” que o PSOE usou por causa do Iraque — “para estimular” o eleitorado socialista, “está assumindo que não tem nada recente com que convencê-lo”. “Recorrer aos clássicos implica não ter referências modernas”, afirmam as mesmas fontes.
O PP nacional considera que o “Não à guerra” não teve efeito nas eleições de Castela e Leão, onde venceu o candidato do PP, Alfonso Fernández Mañueco. Em sua opinião, o crescimento do PSOE nessa região deveu-se a “uma transferência de votos entre blocos”, já que Sánchez captou apoios do Podemos e do Sumar, que ficaram de fora das Cortes de Castela e Leão.
“Sánchez está fazendo uma OPA à extrema esquerda à custa de entregar o centro”, apontam fontes da formação, que acreditam que o que dá as maiorias “é o centro”. No caso da Andaluzia, “Gênova” alerta que o “sonho demoscópico” do PSOE é que Moreno não consiga a maioria absoluta e dependa do Vox. “Parece que o que eles desejam é que o Vox cresça para deter o PP”, lamentam.
"COMPLICADO" QUERER RETRATAR FEIJÓO COMO "ATIVISTA PRÓ-GUERRA"
Na sede do Partido Popular, também não acreditam que o presidente do Governo consiga agora seduzir o voto jovem andaluz com esse slogan porque, segundo argumentam, "é complicado mobilizar apelando a sentimentos que esse eleitorado não conheceu". "O eleitor de 23 anos atrás, que tinha 18 na época, hoje tem 43 ou 44 anos", alertam na equipe de Feijóo.
Além disso, em “Génova” lembram que, em 2003, foi a oposição que utilizou esse slogan contra o governo de José María Aznar por causa da guerra do Iraque e se perguntam se agora é o Executivo que quer usá-lo contra o PP, quando Feijóo deixou claro que eles são contra a guerra. “Não à guerra e não a você”, retrucou a Sánchez há uma semana na sessão plenária do Congresso.
Assim, a direção do PP ressalta que “nunca” foi a favor do conflito bélico e enfatiza que “é complicado que o eleitorado espanhol entenda que Feijóo é um ativista pró-guerra do Irã ou que é trumpista”.
“É possível ser contra a guerra e contra Sánchez. E é possível discordar de Trump e de Sánchez. A questão é que nem tudo é preto ou branco”, afirmam as mesmas fontes, que criticam o PSOE por tentar apresentar o líder do PP como “um dirigente hiperbólico” quando ele não o é.
CONTRAPONER O PERFIL DE “GESTOR” DE MORENO AO DE MONTERO
Em plena pré-campanha na Andaluzia, o PP já antecipa que se dedicará a destacar o “perfil de gestor” de Moreno para contrapô-lo ao de Montero, que nesta legislatura não apresentou um único projeto de Orçamento Geral do Estado (OGE) nem aprovou um novo sistema de financiamento autônomo.
Em “Gênova”, apontam que esse aval de gestão que Moreno apresenta nesta legislatura foi ratificado após o acidente de Adamuz (Córdoba) no passado mês de janeiro e as enchentes de fevereiro, segundo fontes do partido.
“Juanma é presidente há oito anos, com uma gestão baseada no diálogo, na moderação e na gestão pública. Montero foi vice-presidente porque Sánchez concedeu a anistia a Puigdemont e porque seu partido fez negócio com a corrupção de Ábalos envolvendo Cerdán. Todos eles cresceram com ela como número dois do Governo e do PSOE”, resumem fontes da equipe de Feijóo.
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