Eduardo Parra - Europa Press - Arquivo
Gamarra afirma que o PP ativou o procedimento interno, enquanto que no PSOE as denúncias de assédio sexual eram “guardadas numa gaveta”. MADRID 6 fev. (EUROPA PRESS) -
O PP nacional sustenta que instaurou um processo após a denúncia de assédio da ex-vereadora de Móstoles, apesar de ela já não ser filiada do Partido Popular e de já ter sido investigada pelo PP de Madri. Esse procedimento interno é aberto quando o assunto chega ao Comitê Nacional de Direitos e Garantias em novembro de 2024, segundo informaram à Europa Press fontes da cúpula do PP.
Em 3 de outubro de 2024, a então vereadora deste município madrilenho solicitou sua saída do PP “motivada pela falta de proteção” que havia recebido. “No mês de fevereiro, comuniquei ao PP de Madri a grave situação de assédio sexual e laboral que sofri como vereadora do PP de Móstoles”, diz a carta em que comunicou que estava deixando o Partido Popular.
Fontes do PP indicaram que, no outono de 2024, chegou um documento da ex-vereadora ao Escritório de Compliance do PP e foi encaminhado ao Comitê Nacional de Direitos e Garantias do partido, presidido pelo galego Diego Calvo, que também é conselheiro do governo de Alfonso Rueda.
CARTA DE 20 PÁGINAS DA EX-VEREADORA Nesse momento, esse órgão disciplinar designou um instrutor responsável pelo caso e instaurou um processo, apesar de a ex-vereadora de Móstoles já não ser filiada do PP (embora o vereador Manuel Bautista ainda o seja), segundo acrescentaram as mesmas fontes.
Esse processo interno aberto pelo PP inclui tanto uma declaração da ex-vereadora — que remete um documento de 20 páginas — como outra do prefeito de Móstoles, segundo fontes do PP, que não especificaram se o testemunho de Bautista foi recolhido presencialmente ou também por escrito.
Esse processo foi arquivado em abril de 2025 por não considerar comprovada a conduta de assédio sexual, segundo as mesmas fontes, que lembraram que a ex-vereadora informou ter denunciado judicialmente a exclusão de e-mails de seu computador — solicitou-se durante o processo essa auto, que havia sido arquivada pelo juiz —, mas não havia apresentado nenhuma denúncia por assédio no trabalho ou assédio sexual.
Nesta quinta-feira, a ex-vereadora de Móstoles anunciou que apresentará uma denúncia contra o vereador de Móstoles por assédio sexual. Seu advogado, Antonio Suárez-Valdés, especialista em crimes de assédio, detalhou à Europa Press que a denúncia relatará as supostas manobras de assédio sexual que ela sofreu por parte do vereador e o posterior assédio no trabalho.
LEMBRAM QUE A EX-VEREADORA SEMPRE TEVE À SUA DISPOSIÇÃO A VIA JUDICIAL Fontes do PP nacional reivindicaram sua atuação neste caso porque, segundo destacaram, apesar de já ter sido “resolvido” pelo PP de Madri e a ex-vereadora “já não ser filiada”, foi aberta uma investigação interna para recolher informações.
“Sem nenhuma prova, não temos mais capacidade do que resolver o processo de informação. Não havia nenhuma prova para agir em sentido contrário”, indicaram à Europa Press as mesmas fontes, acrescentando que não podiam fazer mais e que a ex-vereadora tem sempre à sua disposição a via judicial, como lembrou publicamente Alberto Núñez Feijóo desde Teruel nesta quinta-feira.
Fontes do PP nacional comparam a atuação do PP neste caso com a do PSOE em relação ao ex-dirigente socialista Paco Salazar, denunciado internamente no PSOE por supostos casos de assédio sexual e atitudes machistas em Moncloa.
Além disso, as mesmas fontes destacaram que esse processo interno de investigação foi aberto apesar de “não haver pressão da mídia”, como, segundo os “populares”, ocorreu quando o comportamento de Salazar veio à tona no verão passado. “Agimos de uma forma que considero mais do que razoável”, acrescentaram.
GAMARRA: “ENORME DIFERENÇA” NA FORMA DE AGIR DO PP E DO PSOE
Em declarações à imprensa na localidade biscaína de Barakaldo, a vice-secretária de Regeneração Institucional do PP, Cuca Gamarra, comparou a atuação do PSOE no caso Salazar com a conduta do PP diante do suposto caso de assédio por parte do prefeito de Móstoles. Além disso, indicou que, caso apresente queixa, a ex-vereadora do PP está “exercendo o que é seu direito e, portanto, nada a dizer”.
De qualquer forma, ela quis deixar “muito claro” que, neste assunto, o PSOE e o PP não têm “nada a ver”, porque “como Salazar trabalhava em Moncloa, sua denúncia foi para a lixeira, para uma gaveta”, enquanto o PP “ativou os mecanismos e o procedimento interno”. Portanto, insistiu, “nada a ver, nem nada a comparar”. A dirigente popular insistiu que seu partido ativou “o procedimento interno” e esse procedimento foi desenvolvido, “enquanto outros guardavam essa denúncia em uma gaveta” e “até que a divulgaram” na mídia “não fizeram nada”. “Acho que há uma diferença enorme”, destacou. SERRANO CONSIDERA “RIGOROSA” A AÇÃO DO COMITÊ DE GARANTIAS
Por sua vez, o secretário-geral do PP de Madrid, Alfonso Serrano, indicou que o primeiro conhecimento que têm deste assunto é em fevereiro de 2024 e lembrou que o Comitê Nacional de Direitos e Garantias o encerrou em abril de 2025, “sem que isso fosse recorrido ou fossem adotadas outras medidas legais por parte de quem fazia essas acusações”.
Serrano indicou que o Comitê Nacional de Direitos e Garantias agiu “de forma rigorosa e diligente, assim como o Partido Popular de Madri, processando o expediente, tentando reunir informações e provas que sustentassem as acusações e, finalmente, arquivando o caso por não ter conseguido provar nada”.
Serrano, que reafirmou seu “apoio” ao prefeito de Móstoles, informou que estudará as ações legais necessárias contra a ex-vereadora de Móstoles por agir de “má-fé” e “fabricar provas” contra o partido por uma “vingança pessoal”, ao gravar conversas após as acusações ao vereador.
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