Publicado 01/07/2026 06:45

O PP esclarece que apoia a concessão de nacionalidade aos netos de exilados e que nunca falou em “fraude”, além de criticar a gestão

Ester Muñoz denuncia a “opacidade” e a “pressa” na aplicação da “lei dos netos” e alerta para que ela seja estendida a outros emigrantes

A porta-voz do PP no Congresso, Ester Muñoz, durante um café da manhã informativo no hotel Mandarin Oriental Ritz, em 1º de julho de 2026, em Madri (Espanha). O evento foi organizado pelo Nueva Economía Fórum.
Alejandro Martínez Vélez - Europa Press

MADRID, 1 jul. (EUROPA PRESS) -

A porta-voz do PP no Congresso, Ester Muñoz, insistiu nesta segunda-feira em denunciar a “opacidade” e a “pressa” com que, em sua opinião, está sendo aplicada a chamada “Lei dos Netos” para conceder a nacionalidade espanhola aos descendentes de exilados espanhóis e explicou que seu partido não se opõe a concedê-la a quem comprovar ser descendente de exilados devido à guerra ou à ditadura, mas questiona a decisão do governo de incluir também no processo outros tipos de emigrantes.

Foi o que Muñoz esclareceu durante sua intervenção em um café da manhã do Nueva Economía Fórum, ocasião que aproveitou para desmascarar as “notícias falsas” e a “demagogia” às quais, segundo denunciou, o Executivo está recorrendo para “manipular” a posição do PP sobre esse tema.

Especificamente, ela se referiu a uma postagem do ministro dos Transportes, Óscar Puente, na qual ele lembrava que tanto ela quanto o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, defendiam a recuperação da nacionalidade pelos descendentes daqueles que foram forçados ao exílio por motivos políticos. “Nos chamam de hipócritas e incoerentes, mas isso é mentira”, proclamou Muñoz.

A porta-voz lembrou que, durante a tramitação da Lei da Memória Democrática — que inclui a conhecida como “Lei dos Netos” em uma disposição adicional —, o Congresso rejeitou expressamente uma emenda do Ciudadanos que “dizia que qualquer pessoa poderia recuperar a nacionalidade se tivesse saído da Espanha por qualquer motivo”. “Se, com seu próprio dinheiro, alguém fosse para o México e montasse uma cervejaria, seu bisneto poderia recuperá-la”, observou ela.

A INSTRUÇÃO DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA QUE ABRE OUTRAS PORTAS

O Congresso rejeitou essa proposta e “aprovou que apenas aqueles que partiram para o exílio pudessem recuperar a nacionalidade de seus descendentes”, mas, segundo denuncia Muñoz, após a aprovação da Lei da Memória Democrática, a Direção-Geral de Segurança Jurídica e Fé Pública, então dirigida por Sofía Puente, irmã do atual ministro dos Transportes, publicou uma instrução para regulamentar o processo de naturalizações por essa via, na qual “a lei foi reinterpretada”.

“Onde dizia que era apenas para o exílio, agora passaram a ser todos”, enfatizou a líder do Partido Popular, que destacou que, desde 2022 até agora, o PP vem questionando o governo sobre esse assunto e não obteve resposta porque eles optaram por “um sistema de opacidade absoluta”.

De acordo com os números do Partido Popular — que diferem dos do governo — “agora, de repente, há mais dois milhões e meio de pessoas que podem votar nas próximas eleições porque adquiriram a nacionalidade. Muitos sem terem pisado na Espanha nem uma única vez na vida”.

O PSOE PEDINDO VOTOS A QUEM NUNCA PISOU NA ESPANHA

E a isso se soma, segundo Muñoz, o fato de que há “dirigentes do PSOE em muitos países no exterior” organizando eventos nos quais argumentam que as pessoas poderão votar graças às medidas do governo de Pedro Sánchez.

“Eu me pergunto: por que tanta pressa? Por que estão tendo que contratar empresas externas para fazer o que os consulados não conseguem fazer? Por que há tanta necessidade de que tudo isso seja rápido? Por que há tanta opacidade? E, acima de tudo, por que lhes incomodou tanto que fizéssemos perguntas? Por que precisam mentir para justificar o que fizeram?”, questionou Muñoz.

A porta-voz do Grupo Popular acrescentou que eles não querem colocar o sistema eleitoral sob suspeita. “Nunca falamos em fraude, mas por que tanta urgência? E, acima de tudo, por que não querem que debatamos seriamente esse assunto?”, insistiu.

UTILIZA A POLÍTICA EXTERNA PARA SEUS INTERESSES

Por outro lado, durante sua intervenção, Muñoz criticou Sánchez por ter “utilizado” a política externa para tentar “ganhar vantagem” no âmbito interno. “Ele tentou conquistar votos colocando presidentes uns contra os outros”, o que, em sua opinião, “é uma irresponsabilidade absoluta”.

Em primeiro lugar, porque “não lhe serviu de nada”, considerando que o PSOE perdeu as eleições regionais realizadas na Extremadura, em Aragão, em Castela e Leão e na Andaluzia; e, em segundo lugar, porque gerou “tensão” com os parceiros europeus.

A dirigente do PP afirma que o fato de o governo ter baseado sua política externa nas recomendações de “um suposto contrabandista” — em alusão ao ex-presidente socialista José Luis Rodríguez Zapatero — está custando caro à Espanha.

“Delegar a responsabilidade pela imagem da Espanha no exterior a alguém que não é um Prêmio Nobel da Paz, mas sim a alguém que negociava e traficava com vidas humanas na Venezuela ou que se enriquecia às custas dos outros quando ia visitar outros países tem um custo”, acrescentou ela.

Por isso, Muñoz entende que é “mais importante do que nunca” que a Espanha conte com um presidente “responsável” que, quando for à Europa, os parceiros saibam de antemão que, se a Espanha se comprometer com algo, podem contar com ela, e tenham clareza de que “nunca” utilizará a UE nem os acordos comunitários em benefício próprio. Ele defende que uma nação que aspira ter voz no mundo “deve ser confiável e credível”, lamentando que, neste momento, a Espanha não o seja.

APOIARÃO CORINA MACHADO SE ELA VOLTAR

Questionada, especificamente, sobre o duplo terremoto ocorrido na Venezuela e se encorajaria a líder da oposição venezuelana María Corina Machado a retornar ao seu país, Muñoz quis deixar claro que seu partido apoiará essa decisão, caso ela a considere oportuna.

A porta-voz do Partido Popular afirma que Machado é “a esperança do povo venezuelano” e que, se ela achar que é adequado estar ao lado de seus concidadãos “em uma das maiores tragédias de seu país” para apoiá-los, o PP a apoiará.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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