MADRID, 3 ago. (EUROPA PRESS) -
O secretário-geral do Partido Popular Europeu e vice-presidente do grupo do PPE no Parlamento Europeu, Dolors Montserrat, denunciou neste domingo que a socialista Teresa Ribera "ocultou dados fundamentais" sobre a tragédia da dana de Valência em outubro passado em seu exame como comissária europeia.
Foi isso que a líder europeia do Partido Popular indicou em uma pergunta parlamentar apresentada à Comissão Europeia, na qual argumentou que as revelações contidas em um relatório da Guardia Civil contradizem a declaração feita por Ribera durante a audiência anterior à sua nomeação como vice-presidente do executivo da UE em relação aos avisos do dia da dana.
Na época, Ribera era a terceira vice-presidente do governo espanhol e ministra da Transição Ecológica e do Desafio Demográfico.
Em sua pergunta parlamentar, Montserrat solicitou à Comissão que esclarecesse se considera compatível com os princípios de transparência e confiança institucional o fato de que, de acordo com o relatório do instituto armado, a Confederação Hidrográfica do Júcar (CHJ), dirigida por Ribera durante seu período como ministra, não emitiu nenhum alerta entre 16:15 e 18:43 horas durante o trágico DANA que custou a vida de 228 pessoas na Comunidade Valenciana.
"Esse apagão técnico ocorreu precisamente durante as horas e áreas mais críticas, dificultando a ativação das medidas de proteção civil", afirmou o Partido Popular.
A deputada do PP denunciou que essa informação foi "intencionalmente ocultada" durante o processo de avaliação parlamentar de Ribera, enquanto, em sua opinião, a socialista desviou a responsabilidade para o Executivo espanhol anterior do Partido Popular e priorizou sua nomeação como Comissária.
"Essas novas revelações [referentes ao relatório da Guardia Civil] confirmam que Teresa Ribera se escondeu por trás de uma questão de competências para não assumir sua responsabilidade na gestão das enchentes em Valência, quando ela era responsável, na época da tragédia, pelas bacias, pela política hídrica, pela agência de controle climático e pela construção em zonas de enchentes", disse Montserrat.
A pergunta apresentada, portanto, questiona se essa "ocultação e manipulação de fatos" no contexto de uma emergência grave compromete a legitimidade do processo de seleção e a capacidade de Ribera de exercer suas funções na Comissão.
O PP reiterou sua versão dos eventos no dia da Dana no relatório do Benemeritá: "O CHJ estava comunicando por correio durante o dia a presença de chuvas fortes, mas sustentou que o fluxo estava reduzindo até três vezes. Entre as 16:13 horas da terça-feira, 29 de outubro, e as 18:43 horas, não comunicou nada", indicaram, e depois mencionaram a obrigação da Confederação de fazê-lo com base na Lei de Proteção Civil.
Nesse sentido, Montserrat argumentou que, quando às 18:43 horas comunicou o perigo, já era tarde demais: "Muitas vítimas já haviam sido arrastadas pela enchente ou estavam lutando por suas vidas", disse.
"Há apenas uma verdade e ela sempre é revelada no final. Em um assunto dessa gravidade, os europeus não merecem uma Comissária que coloca essa responsabilidade sobre seus homens e que os engana", reiterou Montserrat.
RELATÓRIO DA GUARDA CIVIL
Em 25 de julho, a Guardia Civil enviou um relatório ao juiz que investiga o caso Dana, no qual ele faz uma cronologia dos eventos de 29 de outubro e sugere, na análise da situação em torno da ravina de Poyo, que os responsáveis pela Confederação Hidrográfica de Júcar (CHJ) devem ser questionados sobre "qual foi a razão pela qual os avisos de ultrapassagem dos limites obrigatórios não foram realizados pelas pessoas a quem foram confiadas essas funções".
O documento destacou que "sobretudo a falta de avisos" como resultado do aumento exponencial das 16:15 horas, quando o limite 1 foi excedido, até as 18:43 horas, é particularmente notável.
As Forças Armadas entenderam que "pelo menos nesse episódio de inundação, e dadas as chuvas extraordinárias que estavam sendo registradas, era essencial que essas informações fossem transmitidas a tempo de conhecer a situação real dos volumes de água que fluíam pelos canais dos rios com dispositivos SAIH, nesse caso na ravina de Poyo".
No entanto, a juíza que investiga a gestão da catastrófica dana de 29 de outubro questionou na última quarta-feira o último relatório da Guardia Civil incorporado ao procedimento, que ela descreveu como "errôneo" e "incompleto" e divergiu de suas conclusões ao descartar que houve um "apagão de informações" por parte da Confederação Hidrográfica de Júcar (CHJ).
O relatório, portanto, "não corresponde ao que foi acordado" pelo juiz, já que foi solicitada uma cronologia dos transbordamentos em rios, barrancos e represas e sua relação com as mortes. Não foi solicitada uma avaliação das ações dos envolvidos, esclareceu o juiz.
O juiz enfatizou que apenas a cronologia foi solicitada, uma vez que a análise de negligência, falhas ou a posição de garantidor "é exclusivamente jurisdicional". Assim, dado que o relatório sobre a cronologia dos fatos envolve avaliações que não corresponderam à Polícia Judiciária, "não têm eficácia incriminatória ou exculpatória, nem dos investigados nem de qualquer outra pessoa envolvida".
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