Carlos Luján - Europa Press
Exige a comparecimento da ministra da Saúde no Congresso e critica a falta de comunicação com as comunidades autônomas afetadas
MADRID, 7 maio (EUROPA PRESS) -
A porta-voz do Grupo Popular no Congresso, Ester Muñoz, denunciou nesta quinta-feira o “caos absoluto” do governo de Pedro Sánchez na gestão da crise do hantavírus e afirmou que a ministra da Saúde, Mónica García, não está “preparada” para enfrentar uma situação dessa natureza e deveria “ter renunciado há muito tempo”.
Em uma coletiva de imprensa no Congresso, Muñoz anunciou que o Grupo Popular solicitou a comparecimento “urgente e extraordinário” da ministra da Saúde no Congresso para que ela informe esta Câmara sobre a crise do hantavírus, pois há 14 espanhóis “confinados em um cruzeiro” e não sabem “se ele vai atracar ou não em solo espanhol” e se terão que ficar em quarentena.
“Há contradições entre os ministros do Governo da Espanha e, para completar, aparece para explicar a situação de crise o mesmo que nos disse que a Covid não passaria de um ou dois casos. É incompreensível que Fernando Simón continue no mesmo cargo, proporcionando tudo, menos tranquilidade ao país”, afirmou.
Em sua opinião, os cidadãos não ficam “nem um pouco tranquilos ao pensar que esta crise sanitária pode ser gerenciada pelos mesmos que não deram importância à Covid até que fosse tarde demais” e que falaram de um comitê de especialistas que “nunca existiu”. Por isso, ele ressaltou que o PP quer “explicações o mais rápido possível” e que o governo não deveria demorar a comparecer ao Parlamento “para além da próxima semana”.
CRITICA O GOVERNO POR AGIR SEM “CONSULTAR OS PRESIDENTES DAS COMUNIDADES AUTÔNOMAS”
Além disso, Muñoz criticou a falta de comunicação por parte do Governo da Espanha com os governos autônomos e com o PP, que é o principal partido da oposição. Em sua opinião, “o melhor não é agir sem falar com os presidentes regionais afetados”.
“É incompreensível que não estejam fazendo tudo em conjunto com o Governo das Canárias e que não estejam fazendo isso com a Comunidade de Madri, se pretendem trazê-los para a Comunidade de Madri”, disse ela, depois que os passageiros espanhóis forem levados para o hospital militar Gómez Ulla, em Madri.
A líder do Partido Popular indicou que “surpreende muito” que Pedro Sánchez, “que envia cartas aos espanhóis para dizer que está apaixonado por sua esposa” ou que “grava vídeos no TikTok quando chove para que vejamos que é um presidente que se molha”, não tenha feito “nem um único tuíte ou vídeo para explicar aos espanhóis o que está acontecendo” com esta crise do hantavírus.
“Surpreenda ou não, porque define muito bem o personagem que temos como presidente do Governo”, afirmou, para criticar que Sánchez “nem sequer tenha saído para colocar ordem entre seus ministros”.
CRÍTICAS ÀS DISCREPÂNCIAS ENTRE MINISTROS
Assim, ele destacou que, enquanto a ministra da Defesa, Margarita Robles, aponta para um confinamento voluntário, a ministra da Saúde diz que ele será obrigatório. “Em que ficamos? E por que essas decisões não são tomadas por técnicos? E por que essas decisões não são tomadas em acordo com as comunidades autônomas em um país descentralizado cuja gestão da saúde é de competência das autônomas?”, questionou.
Em sua opinião, não é aceitável que a ministra da Saúde saia dizendo que “o navio vai atracar nas Canárias” e que o presidente das Canárias, Fernando Clavijo, diga que não. “Alguém acha normal que o presidente das Canárias diga que o presidente do Governo não atende o telefone?”, enfatizou.
Muñoz considera que esses fatos evidenciam que isso é “o caos absoluto”. “É a forma de gerenciar crises e pandemias que já conhecemos em outras ocasiões do Governo da Espanha”, disse ele, acrescentando que Mónica García, quando estava na oposição, repreendia o Governo de Mariano Rajoy “por trazer espanhóis que haviam contraído o ebola”.
“Vocês se lembram da falta de humanidade de Mónica García? Vocês se lembram? É a hipocrisia e a incapacidade permanente de um governo incapaz de gerenciar, incapaz de lidar com alguém que não seja ele mesmo, incapaz de transmitir segurança aos espanhóis num momento em que as pessoas estão preocupadas”, afirmou.
MÓNICA GARCÍA “JÁ DEVERIA TER RENUNCIADO HÁ MUITO TEMPO”
Ao ser questionada se acredita que os espanhóis que estão no cruzeiro devem vir para Madri ou ser atendidos nas Ilhas Canárias e se acredita que a quarentena deve ser obrigatória ou voluntária, Muñoz indicou que o que for melhor “deve ser decidido pelos técnicos”. Segundo acrescentou, a lei sanitária "possui os meios para poder implementar essas quarentenas obrigatórias também por meio da justiça".
Dito isso, insistiu em falar de "caos" e criticou o fato de "um ministro dizer uma coisa e outro ministro dizer outra". “Provavelmente, o Partido Popular estaria conversando com os especialistas, analisando o que deve ser feito tecnicamente, dialogando com as comunidades autônomas e, certamente, não gerando caos e insegurança”, afirmou.
Nesse ponto, a porta-voz do Grupo Popular garantiu que a ministra da Saúde “já deveria ter renunciado há muito tempo”. Em sua opinião, “é evidente que ela não está preparada para lidar com uma crise dessa natureza”, lembrando que ela não foi capaz de cancelar a greve dos médicos.
Da mesma forma, ela insistiu que Fernando Simón “não deveria ter continuado no cargo”. “Não dá tranquilidade aos espanhóis ver essa pessoa dizer que não há problema com o hantivírus”.
Muñoz afirmou que “o que assusta é ver que o mesmo governo que disse ter um comitê de especialistas que não existia” na pandemia da Covid está “fazendo exatamente o mesmo que na pior crise sanitária que a Espanha já enfrentou”.
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