CEUTA, 12 ago. (EUROPA PRESS) -
A vice-secretária de Coordenação Setorial do PP, Alma Ezcurra, apontou Marrocos como “responsável” pela crise que Ceuta enfrenta após a entrada em massa de mais de 72 mil migrantes ilegais, segundo os números oficiais, e questionou o governo de Pedro Sánchez se vai “ceder” a Rabat, “que não reconhece a soberania espanhola sobre a cidade autônoma”, a garantia e a segurança de suas fronteiras.
Em declarações à imprensa em Ceuta, após se reunir com o presidente da cidade autônoma, Juan Jesús Vivas, Ezcurra destacou que, no PP, estão “muito conscientes” de que, quando “70 mil pessoas entram ilegalmente e de forma violenta por uma fronteira” e, no dia seguinte, aproximadamente 50.000 ou 60.000, retornam pelo mesmo caminho por onde vieram”, isso significa que “há alguém dando o sinal”.
Portanto, a líder do PP concluiu que, “seja por ação ou omissão, o Marrocos é responsável pelo que aconteceu e está acontecendo neste momento em Ceuta”. “Nós, espanhóis, percebemos isso; os europeus perceberam; e o mundo inteiro percebeu”, destacou ela.
Dito isso, Ezcurra questionou o governo espanhol se ele pretende “ceder” a um “país que não reconhece a soberania espanhola sobre Ceuta”, como é o caso de Marrocos, “a garantia das fronteiras e da segurança das fronteiras de uma cidade espanhola”. “A Espanha não pode entregar a Rabat a chave de sua fronteira. Isso tem que acabar e, com um governo do PP, garanto que isso vai acabar”, assegurou.
RESPOSTA AO MINISTRO MARROQUINO
Mais especificamente, a vice-secretária do PP mencionou as palavras do ministro da Justiça marroquino, Abdellatif Ouahbi, nas quais, em sua opinião, ele “volta a pôr em dúvida” a soberania espanhola sobre Ceuta e Melilha.
Em uma entrevista nesta terça-feira, Ouahbi declarou que a soberania das cidades autônomas de Ceuta e Melilla continua sendo uma questão “pendente”, em linha com declarações anteriores, embora se trate de uma política “de longo prazo”. “Em setembro, haverá reuniões com o Marrocos e a Espanha, e continuamos firmes em nossos territórios. Isso requer uma abordagem de longo prazo, e queremos resolver o problema por meio do diálogo”, afirmou o ministro.
Para Ezcurra, “a espanholidade de Ceuta e Melilla não está em discussão, nem é objeto de debate, nem será alvo de negociação por parte de ninguém”, e ele questionou o governo se essa é a “cooperação leal” que o Marrocos oferece para resolver a crise migratória.
Além disso, ele questionou o Executivo se, após as declarações do governo marroquino que colocam em dúvida a espanholidade de suas duas cidades autônomas, também “abrirá um conflito diplomático” ou convocará seu embaixador para consultas, como fez o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, com a Itália devido ao fechamento do espaço Schengen.
AS “TRÊS MENTIRAS” DO GOVERNO SOBRE CEUTA
Ezcurra também atribuiu “três mentiras” ao governo ao afirmar, em primeiro lugar, que a entrada maciça de pessoas em Ceuta “era uma crise migratória”; que a cidade autônoma já havia alcançado a “normalidade”, embora milhares de migrantes continuem na região; e que existe “um problema com as comunidades autônomas do PP” no que diz respeito ao acolhimento de menores desacompanhados que chegaram à Espanha vindos de Marrocos.
Nesse sentido, ele acusou o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, de mentir ao afirmar que “não sabia de nada” quando “havia relatórios dos serviços de inteligência marroquinos e espanhóis que alertavam” sobre a chegada em massa de pessoas pela fronteira.
Além disso, Ezcurra antecipou que a ministra da Defesa, Margarita Robles, que comparecerá diante da imprensa nesta quarta-feira na cidade autônoma, tentará se eximir de responsabilidades diante da crise migratória e argumentou que as Forças Armadas têm “a obrigação de garantir a soberania nacional”. “Não tenho uma bola de cristal, mas posso adiantar que a ministra da Defesa vai dizer aos habitantes de Ceuta que ela não tinha competências”, previu.
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