Eduardo Manzana - Europa Press - Arquivo
MADRID 18 abr. (EUROPA PRESS) -
A secretária-geral do Partido Popular Europeu, Dolors Montserrat, alertou neste sábado que os acordos assinados pelo governo de Pedro Sánchez com a China poderiam “comprometer a autonomia estratégica da União Europeia” e aumentar a dependência industrial, econômica e tecnológica do bloco comunitário.
Montserrat criticou o fato de o Executivo espanhol ter assinado cerca de vinte acordos que abrangem as áreas econômica, industrial, científica e tecnológica durante a recente visita oficial do presidente à China, alguns deles em áreas que ela considera “sensíveis” e que, em sua opinião, se afastam da abordagem europeia de redução de riscos (“de-risking”).
“A União Europeia definiu claramente a sua posição: não se trata de romper relações com a China, mas de reduzir dependências críticas, proteger setores estratégicos e evitar transferências tecnológicas que possam comprometer a segurança econômica europeia”, assinalou a dirigente do Partido Popular, que lamentou que a Espanha “opte por aprofundar laços em áreas onde Bruxelas alertou explicitamente para os riscos”.
Nesse sentido, ela observou que vários dos acordos poderiam facilitar uma maior presença chinesa em setores estratégicos, algo que, segundo ela, é difícil de conciliar com as diretrizes da Comissão Europeia, especialmente em programas como o Horizonte Europa, que prevê restrições para entidades estabelecidas na China.
PREOCUPAÇÃO COM ENERGIA, MOBILIDADE E MATÉRIAS-PRIMAS
Montserrat identificou três áreas principais de preocupação. Em primeiro lugar, alertou que os acordos econômicos e industriais poderiam favorecer a entrada de investimentos chineses em “setores-chave como energia, mobilidade ou cadeias de abastecimento avançadas”, o que aumentaria a exposição da Espanha.
Em segundo lugar, considerou “conflituoso” reforçar a cooperação com a China no âmbito das matérias-primas críticas, como as terras raras, num momento em que a UE busca reduzir sua dependência externa desse tipo de recursos, atualmente superior a 90% em alguns casos.
Da mesma forma, ela expressou dúvidas sobre a intensificação da cooperação científica e universitária com entidades chinesas, ao considerar que podem não existir garantias suficientes em matéria de proteção do conhecimento e transferência tecnológica, especialmente em setores com possível uso duplo civil e militar.
RISCO PARA A POSIÇÃO COMUM EUROPEIA
A líder do PPE também alertou para a dimensão política desses acordos, considerando que a Espanha poderia estar enfraquecendo a coerência da posição comum europeia em relação à China.
“A estratégia europeia baseia-se na unidade e na coordenação entre os Estados-Membros, não em iniciativas bilaterais que possam ser percebidas como divergentes”, assinalou.
Por isso, Montserrat exigiu das instituições europeias uma avaliação “rigorosa e exaustiva” dos acordos assinados, bem como um reforço dos mecanismos de controle sobre investimentos estrangeiros e cooperação tecnológica.
“A Espanha não pode se tornar um ponto de vulnerabilidade. A defesa de nossos interesses econômicos, industriais e tecnológicos exige coerência, prudência e alinhamento com nossos parceiros europeus”, concluiu.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático