Gabriel Luengas - Europa Press - Arquivo
MADRID, 11 jun. (EUROPA PRESS) -
A vice-secretária de Regeneração Institucional do PP, Cuca Gamarra, afirmou nesta quinta-feira que as reuniões com o Ministério Público da ex-militante do PSOE Leire Díez evidenciam que ela “agia com demasiada naturalidade” e “não agia sozinha”. Em sua opinião, estão “mais perto” de que “se confirme que P.S. era Pedro Sánchez” e que estavam “perfeitamente coordenados”.
“Ainda há muitas explicações a dar e as peças estão se encaixando”, declarou Gamarra em declarações à imprensa nos corredores do Congresso, depois que o Ministério Público apresentou ao juiz duas reuniões de um ex-funcionário do ex-procurador-geral Álvaro García Ortiz com Leire Díez e o advogado de Santos Cerdán, ex-número três do PSOE.
Segundo Gamarra, esses contatos evidenciam que não se trata de “uma filiada comum”. “A senhora Leire Díez se movimentava com demasiada naturalidade com a diretora da Guarda Civil — Mercedes González — e agora sabemos que também na Procuradoria-Geral da República”, enfatizou.
A dirigente do PP criticou o fato de ela ter sido recebida por um funcionário do Ministério Público. “Não é um lugar para ela estar, muito menos se nem sequer constava no livro de visitas da Procuradoria-Geral da República”, afirmou.
Mais especificamente, a Procuradoria-Geral da República reconheceu ao juiz da Audiencia Nacional que investiga o “caso Leire Díez” que Diego Villafañe, ex-procurador adjunto da Secretaria Técnica da Procuradoria-Geral da República (FGE), se reuniu duas vezes com a ex-militante socialista e com Jacobo Teijelo, advogado de Cerdán.
"ISSO FAZ PARTE DE UMA CLOACA QUE SE FORMOU DESDE FERRAZ"
Após insistir que “ainda há muitas explicações a dar”, Gamarra destacou que as peças “estão se encaixando” e que “tudo o que disseram ser mentira ou que não havia existido” está se “revelando como tendo existido”.
“Ou seja, estamos cada vez mais perto de confirmar que P.S. era Pedro Sánchez e, mais cedo ou mais tarde, veremos também como eles estavam perfeitamente coordenados”, afirmou a dirigente do Partido Popular.
Segundo Gamarra, Leire Díaz “não agia sozinha” e as informações que vêm surgindo evidenciam que “isso faz parte de uma rede de corrupção que se gestou a partir de Ferraz e que foi financiada” a partir da sede do PSOE com o objetivo de “obstruir o Estado de Direito e tentar evitar por todos os meios” que avancem os processos nos quais estão sendo investigados tanto pela polícia quanto pela justiça.
MOÇÃO SOBRE O RESGATE DA PLUS ULTRA
Quanto à questão de saber se os parceiros do PSOE apoiarão a moção do PP solicitando ao Governo que revise o resgate da Plus Ultra, Gamarra indicou que caberá aos grupos decidir “se querem manter-se à margem da fiscalização de toda a corrupção que tem envolvido o Governo”.
“Evidentemente, já estamos falando de três resgates. O da Plus Ultra, o da Air Europa e o da Tubo Reunidos, que estão sendo investigados judicialmente”, disse ela, para acrescentar que nesses resgates teriam “atuado diferentes organizações criminosas para conseguir, em troca de propinas, que o dinheiro público fosse para empresas específicas”, apesar de “algumas delas nem sequer cumprirem os requisitos para serem resgatadas”.
No caso da Plus Ultra, Gamarra destacou que “não só não cumpria os requisitos para ser resgatada, como também fazia parte, segundo as investigações judiciais, de uma suposta organização criminosa de caráter internacional dedicada à lavagem de dinheiro”.
A vice-secretária do PP assinalou que o Congresso tem a “responsabilidade” de exercer o controle, o que se faz “revisando esse resgate e exigindo responsabilidades políticas”. Em sua opinião, quanto às responsabilidades penais, “o Poder Judiciário deve assumir a responsabilidade, e já o está fazendo”.
“E hoje temos a oportunidade, e o Partido Popular vai fazê-lo, de assumir nossa responsabilidade e exigir essa revisão de um resgate que deve incluir também a exigência da recuperação de 53 milhões de euros, parte dos quais saíram da Espanha, e que temos o direito de recuperar”, concluiu.
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