Kike Rincón - Europa Press - Arquivo
MADRID, 7 abr. (EUROPA PRESS) -
O PP acusou o chefe do Executivo, Pedro Sánchez, de voltar a colocar o foco na reforma do aborto para “não falar” do julgamento que teve início no Supremo Tribunal contra o ex-ministro José Luis Ábalos, uma vez que o Executivo “sabe” que não tem maioria parlamentar no Congresso para levar adiante essa reforma constitucional, segundo indicaram à Europa Press fontes da direção do partido.
O Conselho de Ministros aprovou nesta terça-feira, em segunda votação, o projeto de reforma do artigo 43 da Constituição espanhola para garantir o direito à interrupção da gravidez. Desta forma, inicia-se o tramite parlamentar desta reforma, que deverá agora ser aprovada no Congresso dos Deputados, onde necessita de maioria qualificada.
O Executivo de Pedro Sánchez segue, portanto, em frente com esta reforma da Carta Magna para incluir o aborto como direito, apesar de não ter votos suficientes para aprová-la. “O Governo está se acostumando a levar medidas ao Conselho de Ministros sabendo que elas não serão aprovadas nas Cortes Gerais”, afirmaram à Europa Press fontes da cúpula do PP.
Em “Gênova”, consideram que se trata de “atos propagandísticos que carecem de maioria parlamentar”. Além disso, acreditam que Sánchez e seu governo “querem falar sobre o aborto para não falar sobre (José Luis) Ábalos”, depois que o Supremo Tribunal iniciou hoje o julgamento do ex-ministro, de seu ex-assessor Koldo García e do empresário Víctor de Aldama por supostas irregularidades em contratos de máscaras adjudicados pelo Ministério dos Transportes durante a pandemia.
A reforma para garantir o aborto na Constituição ocorre, além disso, em plena pré-campanha andaluza para as eleições da Junta de 17 de maio, uma medida que será defendida pela candidata socialista, María Jesús Montero. No passado dia 3 de outubro, em Jaén, ela já havia defendido publicamente que é “necessário” garantir esse direito na Constituição porque o PP “pisoteia permanentemente os direitos das mulheres no que diz respeito a quando elas querem decidir ser mães”.
O APOIO DO PP É “IMPRESCINDÍVEL”: “QUE ESQUECAM ISSO”
Em outubro de 2025, o PP já descartou a possibilidade de incluir o aborto na Constituição porque, para reformar a Carta Magna, o apoio do PP é “imprescindível”. “Que esqueçam”, replicou então ao chefe do Executivo, que havia anunciado que proporia “consagrar” o aborto na Constituição com o objetivo de “consagrar a liberdade e a autonomia das mulheres”.
Os "populares" apontaram então, assim como agora, que o aborto é um tema com o qual o Governo busca "desviar a atenção" dos cidadãos dos inúmeros casos de suposta corrupção que assombram seu Governo e sua família.
Por isso, os "populares" já deixaram claro na época que não vão ajudar o Governo nessa estratégia: "o debate termina aqui". De fato, eles lembraram que a opção pelo aborto já é permitida e regulamentada na Espanha, além de ser respaldada por uma decisão firme do Tribunal Constitucional. “Não permitiremos que a esquerda reabra debates ideológicos para encobrir sua má gestão e a corrupção de seus governantes”, argumentaram os “populares”.
O PP EVITOU FALAR SOBRE O ABORTO EM SEU ÚLTIMO CONGRESSO NACIONAL
O Congresso Nacional que o PP realizou no início de julho de 2025 — no qual aprovou seu programa político — evitou, em sua exposição política, entrar em debate sobre temas como o aborto, a eutanásia ou a gestão subrogada, assuntos sobre os quais há diferentes sensibilidades dentro da formação.
Em fevereiro de 2023, o líder do PP afirmou que o aborto não é um “direito fundamental”, mas expressou seu respeito pelo fato de a mulher poder interromper voluntariamente a gravidez de acordo com os prazos estabelecidos na legislação vigente, após a aprovação da lei de 2010 pelo Tribunal Constitucional.
Além disso, Feijóo destacou na ocasião que, após 13 anos, nem o PP nem o PSOE “alteraram” esse modelo de prazos. “O aborto é uma decisão da mulher que deve e só pode ser tomada de acordo com a legislação”, acrescentou.
Em outubro do ano passado, após a reforma do aborto anunciada por Sánchez, o líder da oposição voltou a garantir que sua posição é “clara e conhecida”. “Garantirei sempre que qualquer mulher que opte pela interrupção da gravidez possa fazê-lo com a melhor assistência médica e psicológica, de acordo com as leis”, concluiu.
Segundo Feijóo, o “verdadeiro” debate de que a Espanha precisa é “sobre natalidade, conciliação e futuro” e, por isso, comprometeu-se a promover, caso governe, “medidas para que nenhuma mulher renuncie à maternidade por motivos económicos, laborais ou de habitação”.
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