MADRID 14 set. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores de Portugal, Paulo Rangel, denunciou nesta segunda-feira o “estrangulamento” da Cisjordânia com a expansão dos assentamentos israelenses em território palestino, o que inviabiliza a aplicação da solução de dois Estados para resolver o conflito.
“Isso é totalmente incompatível com a solução de dois Estados. Qualquer país que defenda essa solução deve se opor a esse plano”, declarou Rangel, referindo-se à iniciativa israelense de unir a zona E1 à Jerusalém Oriental, dividindo assim a Cisjordânia em duas partes, conforme noticiado pela imprensa portuguesa.
Rangel classificou de “perigoso” o projeto e a “expansão violenta dos assentamentos”, que considerou “intolerável”. Além disso, lembrou que Israel retém os fundos arrecadados em nome da Autoridade Palestina.
“Estamos falando de um verdadeiro cerco a um conjunto de instituições palestinas que permitiam, apesar de tudo, manter alguma funcionalidade da Autoridade Palestina e da sociedade civil”, afirmou em coletiva de imprensa ao lado de sua homóloga palestina, Varsen Shahin.
Quanto à situação na Faixa de Gaza, Rangel lembrou que está sendo preparada uma força de estabilização, mas que, por enquanto, “não há resultados no terreno” no que diz respeito à iniciativa de paz dos Estados Unidos. “A situação humanitária continua problemática e difícil”, destacou.
Rangel recebeu Shahin nesta segunda-feira em Lisboa, em uma reunião que durou pouco mais de uma hora e que ambos classificaram como “muito produtiva”. Portugal e a Palestina assinaram posteriormente dois memorandos de entendimento sobre consultas políticas regulares e para a formação, preparação e troca de informações e documentos entre as duas instituições diplomáticas.
Trata-se do primeiro encontro entre Rangel e Shahin desde que Portugal reconheceu o Estado da Palestina em 21 de setembro de 2025, razão pela qual o próprio ministro português classificou a reunião como um “momento histórico”. Shahin, por sua vez, expressou sua satisfação com as conversas “construtivas e positivas” com seu homólogo. A coletiva de imprensa foi encerrada sem que fossem permitidas perguntas.
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