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MADRID 29 abr. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores de Portugal, Paulo Rangel, defendeu nesta quarta-feira que o “arrefecimento” nas relações entre a Europa e os Estados Unidos tem como lado positivo o fato de as nações europeias assumirem suas responsabilidades em matéria de segurança.
Em uma intervenção no Fórum La Toja, realizado em Lisboa, Rangel destacou que, em um momento em que as relações transatlânticas estão “piorando”, há um “efeito positivo da tensão” com Washington, que ele classificou como “paradoxalmente positivo”.
“O esfriamento da relação nos faz assumir nossas responsabilidades, como defendem os Estados Unidos há muitas décadas, sobretudo nas últimas duas décadas”, argumentou, para reiterar que os países europeus “com alto nível de desenvolvimento” dispõem “de capacidade financeira, de recursos e de massa crítica para assumir suas próprias responsabilidades”.
Da mesma forma, o ministro das Relações Exteriores português destacou que a nova dinâmica com Washington provocou uma aproximação entre a União Europeia e o Reino Unido, bem como entre a União Europeia e o Canadá.
“Há algo que não podemos negar, que não podemos ignorar. O oceano que banha a Europa é o Atlântico”, afirmou Rangel, que também apelou para que a relação transatlântica se estenda igualmente aos países da América Central e da América do Sul, citando o acordo comercial com o Mercosul como exemplo da vontade de fortalecer a relação com essa região.
MUDANÇAS GEOPOLÍTICAS “DRÁSTICAS E RADICAIS”
De qualquer forma, durante a conferência, Rangel enquadrou as mudanças na relação com os Estados Unidos na virada “drástica” e “radical” do cenário geopolítico vivenciado em 2026, no qual “as mudanças atingiram uma velocidade inesperada”.
E num momento em que se sucedem as crises internacionais, defendeu que Portugal sempre optará pela “via diplomática, a imposição de um cessar-fogo, a busca de uma solução duradoura e sustentável e uma nova ordem”, diante de cada um dos conflitos regionais em curso, seja no Oriente Médio, na Ucrânia ou no Sudão.
Dessa forma, alertou que já não se veem “indícios” de um novo paradigma internacional, mas sim “sinais muito visíveis de uma realidade ainda invisível”, que, em sua opinião, “é apenas a ponta do iceberg” dessa nova ordem. Assim, pediu um acordo a nível internacional para navegar pelas diferentes crises e que haja diretrizes “para as potências envolvidas em um período pós-conflito”.
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