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MADRID 16 maio (EUROPA PRESS) -
A procuradora-geral cessante da Guatemala, María Consuelo Porras, defendeu nesta sexta-feira sua gestão à frente do Ministério Público em seu último dia no cargo, após oito anos de mandato que ela qualificou como uma etapa de “decisões firmes e transformação institucional”, e denunciou, por sua vez, a existência de “narrativas desinformativas” que tiveram como objetivo “desacreditar e menosprezar” o trabalho realizado sob sua direção.
“Podemos dizer de cabeça erguida: missão cumprida. Esta foi uma gestão histórica com resultados reais (...) enfrentamos obstáculos, tentaram nos silenciar, tentaram nos desacreditar”, afirmou Porras ao apresentar o relatório de gestão do período 2025-2026, em sua última aparição pública como procuradora-geral.
Em seu discurso, Porras garantiu ainda que, sob seu mandato, o Ministério Público alcançou uma taxa de resolução de casos superior a 90%, números que, segundo várias organizações, estão distantes da realidade.
“Os números são claros, pois resolvemos 99,98% dos casos herdados e 98% dos novos. Mas por trás de cada número há vidas, famílias, histórias de dor e esperança que hoje encontram justiça. Cada processo encerrado, cada investigação realizada, cada vítima ouvida, é uma vitória do Estado de Direito”, declarou a funcionária em suas redes sociais.
Da mesma forma, a procuradora guatemalteca afirmou que “a justiça já não está distante”, uma conquista que atribuiu à modernização da instituição, à especialização das promotorias e à atenção integral às vítimas, destacando que o Ministério Público conta agora com presença nos 340 municípios do país.
"Hoje deixamos uma instituição mais forte, mais moderna, mais próxima dos cidadãos e pronta para enfrentar os desafios do futuro. Modernização, digitalização, expansão territorial, infraestrutura, modelos especializados: todo um legado que transcende", expressou.
PORRAS NÃO PODERÁ SER PROCESSADA APESAR DE DEIXAR O CARGO
No último dia 23 de abril, a Suprema Corte de Justiça (CSJ) da Guatemala rejeitou “in limine” — sem entrar no mérito do caso por considerá-lo infundado — o pedido de destituição da imunidade contra a procuradora-geral María Consuelo Porras.
Essa decisão, identificada como o processo preliminar 46-2026, suspende o andamento da denúncia apresentada pelo deputado guatemalteco José Chic, que vinculava Porras a crimes supostamente cometidos na década de 1980, entre os quais se destacavam o tráfico de pessoas, abuso de autoridade e procedimentos irregulares de adoção.
A procuradora-geral da Guatemala, que tem sanções em vigor impostas pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pelo Canadá por “minar a democracia” e “participar de atos ilícitos”, deixou o cargo nesta sexta-feira ao não ter sido reeleita para a lista de candidatos.
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