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MADRID, 11 jul. (EUROPA PRESS) -
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, defendeu neste sábado que se esclareça completamente, até o último nome, o massacre de dezenas de milhares de poloneses exterminados por nacionalistas ucranianos contra a minoria polonesa durante a Segunda Guerra Mundial na Volínia, em um discurso proferido após semanas de tensões históricas com Kiev, à qual pediu implicitamente que aceitasse a “verdade” do que ocorreu.
“Hoje precisamos de solidariedade diante das ameaças comuns, e a solidariedade se baseia na verdade, na memória e na esperança”, explicou Tusk em um discurso publicado nas redes sociais e com um claro contexto contemporâneo em torno da atual aliança entre a Polônia e a Ucrânia durante a guerra com a Rússia.
“A verdade consiste em apontar e nomear os culpados. É a condenação inequívoca desse crime. A verdade é a memória de cada vítima e o local de sua execução. Os assassinados não podem permanecer no anonimato”, proclamou Tusk neste sábado.
O Exército Insurgente Ucraniano (UPA) e outros grupos armados nacionalistas realizaram, em 1943 e 1944, uma campanha de limpeza étnica e massacres na região de Volínia e Galícia, na época sob ocupação nazista, que resultou na morte de até 100 mil civis poloneses.
O início da tensão atual em torno desse evento ocorreu quando o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, batizou recentemente o Centro de Operações Especiais Norte das forças de operações especiais do Exército como “Heróis da UPA”. Em resposta, o presidente polonês, Karol Nawrocki, anunciou a retirada da Ordem da Águia Branca — a mais alta condecoração polonesa —, que havia sido concedida a Zelenski pelo então presidente polonês Andrzej Duda.
No último dia 20 de junho, Zelenski anunciou a devolução da medalha.
“A memória”, acrescentou Tusk, “não pode ser serva do ódio, e a resposta ao nacionalismo não pode ser mais nacionalismo: a memória e a verdade devem nos ajudar a construir um futuro melhor”.
“A Europa da paz e do respeito mútuo, a Europa unida após a Segunda Guerra Mundial, foi possível graças à verdade e ao fato de chamarmos as coisas pelos seus nomes. Quem quiser fazer parte dessa comunidade deve estar preparado para essa verdade”, concluiu o primeiro-ministro polonês.
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