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MADRID 22 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Polônia, Karol Nawrocki, afirmou nesta segunda-feira que seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelenski, está equivocado se pretende enquadrar a retirada da Ordem da Águia Branca — decorrente das diferentes interpretações da memória histórica que compartilham — como uma questão de política interna polonesa.
“Caro Volodimir, senhor presidente, a disputa não tem nada a ver com os assuntos internos da Polônia”, afirmou Nawrocki ao líder ucraniano, a quem lembrou que todos em seu país “compreendem o dano que os nacionalistas ucranianos causaram” ao povo polonês, conforme informa a agência PAP.
“O presidente Zelenski está equivocado”, afirmou ainda à imprensa, em um evento em Varsóvia. O líder ucraniano declarou em uma entrevista que a Ordem da Águia Branca lhe foi retirada por questões de política interna, em um momento em que Nawrocki e o primeiro-ministro, Donald Tusk, vêm demonstrando suas profundas divergências.
No entanto, Nawrocki ressaltou que “a disputa reside na percepção sobre questões históricas” e que a Polônia não aceita a bandeira vermelha e preta, em alusão às cores do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), uma milícia nacionalista acusada de cometer massacres na Polônia durante a Segunda Guerra Mundial.
“Todos os patriotas compreendem os crimes que os nacionalistas ucranianos cometeram em solo polonês e a gravidade daqueles momentos”, concluiu Nawrocki, que na sexta-feira decidiu retirar essa condecoração — a mais alta concedida pelo Estado polonês — a Zelenski, depois que ele aceitou que uma unidade do Exército ucraniano recebesse o nome de “Heróis da UPA”.
Para Zelenski, essa decisão responde mais a dinâmicas de política interna, a mais de um ano das próximas eleições parlamentares na Polônia, e ele criticou Nawrocki por tentar, assim como já fez o ex-primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán, obter ganhos eleitorais por meio do ódio.
Além disso, o presidente ucraniano aconselhou Nawrocki a manter boas relações com a Ucrânia, alegando que é esse país que está protegendo o continente europeu enquanto é bombardeado diariamente pela Rússia. “Sem a Ucrânia, ninguém poderá proteger a Polônia. É simplesmente impossível”, afirmou.
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