Publicado 28/02/2026 08:10

A Polisário lamenta que, em 50 anos, nenhum governo espanhol tenha corrigido o "erro histórico" do Saara.

O delegado da Frente Polisário na Espanha, Abdulah Arabi, durante uma entrevista para a Europa Press, em 24 de fevereiro de 2026, em Madri (Espanha). Abdulah Arabi é um diplomata saharaui, licenciado em Relações Políticas Internacionais pelo Instituto
Fernando Sánchez - Europa Press

O seu representante em Espanha garante que os contactos com o Executivo continuam interrompidos, mas que existem contactos a níveis inferiores com o PSOE MADRID 28 fev. (EUROPA PRESS) -

O representante da Frente Polisario, Abdulah Arabi, não esconde seu pesar pelo fato de que, nos 50 anos decorridos desde o “erro histórico” que, em sua opinião, representou a retirada da Espanha do Saara Ocidental sem ter concluído o processo de descolonização, nenhum governo tenha corrigido esse erro, mas confia que isso possa mudar no futuro.

Além disso, em entrevista à Europa Press por ocasião do 50º aniversário da proclamação da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), ele ressalta que a relação com o governo e, por extensão, com o PSOE, continua rompida devido ao apoio expresso pelo presidente Pedro Sánchez ao plano de autonomia marroquino para o Saara. Na sua opinião, esta posição deixou a Espanha fora das conversações para resolver o conflito.

“Nestes 50 anos, sempre depositámos a nossa confiança nos políticos espanhóis”, mas “até agora, nenhum governo alternativo conseguiu corrigir o erro histórico da política externa espanhola”, que “foi a causa deste longo e desumano sofrimento do povo saharaui”, argumenta Arabi quando questionado sobre se um futuro governo liderado pelo PP daria marcha atrás.

“Confiamos plenamente que o próximo governo, seja ele qual for, tenha em conta, acima de tudo, a solidariedade que existe em Espanha em relação ao povo saharaui e aja em conformidade”, acrescenta, apontando também para o facto de que possa levar a cabo uma “política de equilíbrio no Norte de África”. “Não pedimos a nenhum governo que tenha más relações com Marrocos, simplesmente pedimos que essas boas relações não sejam feitas em detrimento das legítimas aspirações do povo saharaui”, acrescenta, defendendo que este tem direito à autodeterminação e a completar o processo de descolonização que a Espanha deixou inconclusivo com a sua saída em 28 de fevereiro de 1976, sem realizar o referendo previsto.

“O Estado saharaui foi proclamado em resposta à retirada do último soldado espanhol, respondendo assim a um vazio jurídico legal que existia naquele momento”, esclarece Arabi, que insiste que a Espanha continua sendo a potência administradora, “não porque o Polisario o diga”, mas porque “o diz o Direito Internacional”.

SEM RELAÇÃO COM O GOVERNO No que diz respeito à relação com o atual governo, o delegado da Polisario lembra que, quando ocorreu a reviravolta com a carta de Sánchez a Mohamed VI, foi apresentada como “condição indispensável” que ele voltasse atrás e retornasse ao “consenso que caracterizou a política externa espanhola” em relação ao Saara Ocidental.

“Enquanto isso não acontecer e enquanto essa decisão não for revertida, as coisas continuarão como estão até agora”, salienta, lembrando que tanto o Congresso como o Senado se pronunciaram contra, “até mesmo uma parte do Governo defende o direito à autodeterminação dos saharauis”, mas “a ala socialista do Governo continua inclinada para a proposta de autonomia de Marrocos”.

No entanto, precisa, embora a posição do PSOE a nível federal seja a de apoiar a decisão tomada por Sánchez, a Polisário mantém contactos “com muitos cargos públicos” socialistas, tanto a nível regional como local. Além disso, acrescenta, dentro do partido há um grupo de Socialistas pelo Saara que tenta conseguir um retorno à “posição tradicional em relação à causa saharaui, porque é uma causa de Direito Internacional, de Direitos Humanos, de justiça”.

O delegado da Polisario garante que têm relações “com todos os partidos”, sem entrar em mais detalhes, e continuam a fazer o seu trabalho “com essa desvantagem que existe atualmente na política externa espanhola, que se distanciou do Direito Internacional e se posicionou ao lado de uma potência ocupante que é Marrocos”.

ESPANHA É EXCLUÍDA PELA DECISÃO DE SÁNCHEZ

Assim sendo, Arabi considera que a decisão tomada por Sánchez em 2022 é a que fez com que a Espanha fosse “excluída do processo político que se iniciou há dois meses”, em referência à ronda de contactos que está a ser promovida pelos Estados Unidos e pela ONU e na qual participam as partes, Marrocos e a Polisário, juntamente com a Argélia e a Mauritânia.

Precisamente, Madri sediou uma dessas rodadas no início de fevereiro, sem que o governo espanhol desempenhasse qualquer papel nos contatos, além do ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, ter aproveitado para se reunir com seus homólogos de Marrocos, Mauritânia e Argélia, que viajaram para a ocasião, mas não com o da Polisario.

“A Espanha deveria ter liderado qualquer processo a nível das Nações Unidas como potência administradora do território do Saara Ocidental e não aproveitou a oportunidade, razão pela qual é agora um ator sem qualquer influência”, salienta na sua entrevista à Europa Press.

Além disso, lamenta que a postura adotada pelo governo “tenha influenciado outros países” que consideravam a Espanha “um país que defendia o Direito Internacional em relação ao Saara Ocidental e, quando deixou de o fazer, também marcou o rumo errado na história para alguns países que a viam como referência para o bem e para o mal” em relação a esta questão.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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