Fernando Sánchez - Europa Press - Arquivo
MADRID 8 jun. (EUROPA PRESS) -
O delegado da Frente Polisário na Espanha, Abdulah Arabi, condenou os “duplos padrões” demonstrados pelo governo por seu “silêncio” após a morte de três membros, entre eles um alto cargo e filho do ex-presidente saharaui Mohamed Abdelaziz, num ataque com drones perpetrado por Marrocos na véspera.
Em declarações à Europa Press, Arabi denunciou que o ataque em que morreu Lehbib Mohamed Abdelaziz, comandante do Exército saharaui e membro do Secretariado Nacional da Frente Polisario, e de outros dois membros, “se soma aos inúmeros já cometidos, de forma indiscriminada, por Marrocos nos últimos anos, especialmente contra a população civil saharaui”.
Na opinião do delegado da Polisario, por meio desses ataques, a maioria dos quais foi realizada com drones, “Marrocos demonstra sua total falta de disposição para a resolução do conflito” do Saara Ocidental meio século após a retirada da Espanha desse território.
Arabi denunciou que, quando ocorrem esses ataques marroquinos, “o Governo da Espanha demonstra, se é que isso é possível, de forma ainda mais notória, os dois pesos e duas medidas com que atualmente rege sua política externa”.
“Prova disso é que apenas questiona, investiga e condena os acontecimentos quando são provocados por uma das partes”, criticou, referindo-se ao fato de que o governo condenou, por meio de uma mensagem nas redes sociais da Embaixada em Rabat, o ataque perpetrado pela Polisario no último dia 5 de maio em Esmara, na parte do Saara controlada por Marrocos, que não causou vítimas.
Por outro lado, o representante da Polisário lamentou que “quando as vítimas são saharauis, o silêncio se torna ensurdecedor”, aproveitando para expressar pessoalmente suas mais sinceras condolências às vítimas.
Da mesma forma, Arabi chamou a atenção para o fato de que o ataque realizado por Marrocos perto do muro que separa a parte da antiga colônia controlada pela Polisário ocorreu coincidindo com a visita do enviado especial da ONU para o Saara Ocidental, Steffan de Mistura, que se encontra nos campos de refugiados saharauis em Tinduf (Argélia).
Nesse sentido, ele precisou que a Polisário aproveitará a oportunidade para reiterar a De Mistura “sua determinação e convicção na defesa dos direitos legítimos do povo do Saara Ocidental à autodeterminação e à independência, custe o que custar”.
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