Bianca De Marchi/AAP/dpa - Arquivo
MADRID, 15 jun. (EUROPA PRESS) -
A Polícia Federal da Austrália iniciou nesta segunda-feira uma investigação sobre as graves denúncias de abusos sexuais e torturas supostamente cometidos pelas autoridades israelenses contra ativistas detidos após participarem da última frota, que buscava pôr fim ao bloqueio sobre a Faixa de Gaza.
Um porta-voz da Polícia confirmou que iniciou uma investigação sobre as acusações e que está trabalhando com uma abordagem centrada nas vítimas, sem dar mais detalhes a respeito, conforme noticiado pelo jornal 'The Sydney Morning Herald'.
A ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, reuniu-se nesta mesma segunda-feira com quatro participantes da frota, juntamente com a ministra do Desenvolvimento Internacional, Anne Aly, e delegações de alto nível da Polícia e do Departamento de Relações Exteriores e Comércio.
“O governo australiano se comprometeu a realizar uma investigação independente sobre as agressões, os abusos sexuais e a tortura sofridos pelas ativistas da frota”, indicou a Gaza Freedom Flotilla Australia em suas redes sociais.
A ativista Juliet Lamont denunciou ter sido estuprada durante seu período de detenção em Israel por um soldado, além de ter sido espancada, amarrada com abraçadeiras e sofrido diversos tipos de maus-tratos, como jatos contínuos de água.
Da mesma forma, Violet CoCo denunciou ter sido detida à força de arma e empurrada para dentro de um contêiner, onde foi espancada, chutada e agredida sexualmente antes de ser jogada no pátio de uma prisão. A ativista afirmou que os soldados tiraram fotos dela nua, além de negarem-lhe acesso a comida, água e um advogado.
Wong expressou sua “solidariedade” com as mulheres e afirmou acreditar nas acusações das ativistas. “Minha postura principal é sempre acreditar nas mulheres quando há denúncias de agressão sexual”, afirmou a senadora, acrescentando que as denúncias são “terríveis” e que esse tipo de tratamento é “inaceitável”.
Onze australianos foram detidos no âmbito da frota que foi interceptada em 18 de maio — composta por mais de 400 pessoas — enquanto tentavam romper o bloqueio naval israelense sobre Gaza, para entregar alimentos, medicamentos e leite em pó para bebês.
A Global Sumud Flotilla apresentou uma denúncia ao Tribunal Penal Internacional (TPI) alegando crimes de guerra, crimes contra a humanidade, tortura e outras violações do Direito Internacional cometidas pelo Exército israelense.
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