Fernando Sánchez - Europa Press
Maribel Vaquero ressalta que seu partido não está negociando nenhuma moção de censura, seja ela instrumental ou de qualquer outro tipo
MADRID, 30 maio (EUROPA PRESS) -
O PNV advertiu neste sábado o presidente do Governo, Pedro Sánchez, de que deixar o tempo passar não vai melhorar a situação em que se encontra a governabilidade do país, por isso, aconselhou-o a “não fechar os olhos à realidade”, “pegar o touro pelos chifres” e antecipar as eleições gerais, ao mesmo tempo em que ressaltou que seu partido não está negociando nenhuma moção de censura, seja ela final ou não.
Em entrevista ao programa “Parlamento” da “RNE”, divulgada pela Europa Press, a porta-voz do PNV no Congresso, Maribel Vaquero, reiterou a necessidade de Sánchez dissolver as Cortes Gerais e convocar eleições, pois com o Governo, “da forma como está”, “a legislatura está esgotada”.
A líder nacionalista destacou que não há orçamento, que não estão sendo aprovadas leis importantes e que as que são impulsionadas o são por meio de decreto-lei, ao que se soma, além disso, “uma série de processos judiciais em andamento” por corrupção que afetam o círculo do chefe do Executivo e do PSOE.
Em sua opinião, neste momento, o interesse geral e a responsabilidade exigem que Sánchez tome medidas e convoque eleições para que os cidadãos decidam nas urnas que governo e que Parlamento desejam, pois o que não cabe é “deixar o tempo passar” e esgotar a legislatura.
SE QUER ESTABILIDADE, QUE CONVOQUE ELEIÇÕES
“O tempo não vai melhorar a situação, porque não se trata de que o tempo cure tudo — sublinhou ele —, e o governo tem de ser suficientemente responsável para dizer que assim não se pode continuar e que a legislatura não dá mais de si”.
Além disso, acrescentou que, se realmente o que importa ao presidente é a estabilidade do país, como ele mesmo justificou em sua ideia de encerrar a legislatura, o que ele deve fazer é permitir que “o mais rápido possível” se decida um novo Parlamento, pois, insistiu Vaquero, “os problemas não serão resolvidos jogando areia sobre eles”.
“É preciso pegar o touro pelos chifres”, resumiu a porta-voz nacionalista, para quem o que o presidente não pode fazer é “fechar os olhos à realidade” e não estar ciente de que o nível de tensão que existe nas ruas beneficiará, se possível, ainda mais o Vox.
Questionada sobre se acredita que algo pode mudar quando houver uma possível primeira sentença condenatória contra o ex-ministro e secretário de Organização do PSOE, José Luis Ábalos, pelo “caso das máscaras”, Vaquero assinalou que irão acompanhar a evolução dos acontecimentos, mas, de entrada, aponta que “o que se ouve não parece nada bom”. De qualquer forma, ela quis deixar claro que o PNV não está discutindo nem negociando nenhuma moção de censura com nenhum partido político.
Nesse ponto, e diante do fato de que o PP está responsabilizando o PNV e outros parceiros pela situação, Vaquero ironizou, apontando que os “populares” têm “a habilidade de fazer amigos e culpar os outros por suas próprias responsabilidades”.
O PP NÃO ESTÁ EM POSIÇÃO DE DAR LIÇÕES, MUITO MENOS AO PNV
“Ele não está em posição de dar lições a ninguém em casos de corrupção, nem de olhar para o PNV e jogar qualquer questão na cara dele”, retrucou a líder basca, enfatizando que essa “estratégia” não vai funcionar. “Se acham que agindo assim no País Basco vão conseguir mais votos, estão muito enganados”, disse ela.
Questionada sobre se vê o Bildu com a sensação de que estamos diante do fim de um ciclo, Vaquero respondeu que a esquerda abertzale, que segue “totalmente” o PSOE, tem interesse em que a legislatura dure “o máximo possível”. “Acho que (o Bildu) vai generalizar tudo, por interesse geral, aos bons e aos maus, aos fascistas e aos antifascistas, mas a cidadania é muito mais inteligente do que tudo isso”, observou.
Quanto à questão de saber se ela compartilha do diagnóstico do Bildu de que um governo do PP com o Vox é pior do que o governo atual, a porta-voz do PNV destacou que isso equivale a pensar que o PSOE vai governar para sempre “por mandato divino” e que esta legislatura “não tem fim”.
Por fim, e questionada sobre o fato de Sánchez continuar confiando em José Luis Rodríguez Zapatero, indiciado pelo “caso Plus Ultra”, Vaquero comentou que “ele saberá por que” continua unindo seu destino político ao do ex-presidente socialista, mas “o que importa é se a população confia no que está acontecendo”.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático