Publicado 01/07/2026 12:45

Petro reativa o mandado de extradição de “Chiquito Malo”, chefe do Clã do Golfo

O presidente colombiano defende o papel da negociação para erradicar a violência armada e as atividades ilícitas

10 de junho de 2026, EUA, Nova York: O presidente colombiano Gustavo Petro fala à imprensa após a reunião do Conselho de Segurança sobre “O avanço de soluções políticas no Oriente Médio: mediação e diálogo para uma paz duradoura”, já que a Colômbia ocupa
Lev Radin/ZUMA Press Wire/dpa

MADRID, 1 jul. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou nesta quarta-feira que reativou o mandado de extradição do chefe do Clã do Golfo, Jesús Ávila Villadiego, conhecido como “Chiquito Malo”, o que representa mais um passo na deterioração das negociações de paz entre o Estado e esse grupo paramilitar.

Petro atribuiu ao Clã do Golfo a falta de sinceridade nas negociações e reiterou que, caso seja detido, “Chiquito Malo” “deve ser extraditado imediatamente”. A Justiça dos Estados Unidos o busca por crimes de tráfico de drogas, terrorismo, posse de armas e organização criminosa.

Na mesma mensagem nas redes sociais, o ainda presidente da Colômbia anunciou a prisão de “El Zarco”, líder do Clã do Golfo em Córdoba.

Resta saber como essa última manobra do governo afetará a situação, agora que havia sido acordado com o grupo armado — atualmente o maior da Colômbia — estabelecer três zonas de acolhimento temporário entre Chocó e Córdoba para reunir aqueles que desejam se juntar às negociações de paz sem serem detidos durante o trajeto.

“Não acredito em guerras totais, mortíferas; não acredito na barbárie; acredito no que é civilizado e humano, e o que é humano é dialogar e diminuir a morte e a dor da sociedade”, escreveu Petro, que defendeu as políticas de paz que buscam desarmar esses grupos e reintegrá-los em atividades econômicas lícitas.

Em sua defesa, ele citou o ex-alto comissário para a Paz, Danilo Rueda, recentemente apontado por supostas concessões que teria proposto ao Clã do Golfo, entre elas a redução do número de operações militares, em troca de avanços no processo de negociação, segundo informações divulgadas por alguns meios de comunicação.

“Os dados do meu governo mostram sucesso na linha proposta, que é pacífica: trata-se da erradicação voluntária com substituição de culturas, vista como uma economia territorial e não individual”, destacou Petro, que lamentou, no entanto, o escasso apoio obtido de alguns setores do Estado.

Nesse sentido, ele destacou que o Ministério Público colombiano não apoiou essas políticas de seu governo, “influenciado” pelos Estados Unidos, que há décadas defendem a erradicação forçada desse tipo de cultivo, uma medida que se revelou “agora fracassada, segundo os dados”.

Petro destacou “a força do coletivo” para resolver os “graves problemas” que ameaçam a humanidade e ressaltou que “graças aos diálogos de paz” e à garantia de segurança jurídica ao campesinato colombiano, historicamente excluído, foram alcançados sucessos já reconhecidos pelas Nações Unidas.

Tudo isso ocorre, além disso, logo após o Clã do Golfo ter manifestado, em uma nota assinada por “Chiquito Malo” com seu nome original, ao presidente eleito, Abelardo de la Espriella, sua disposição de dar continuidade ao processo de paz e se submeter à Justiça colombiana.

NEGOCIAÇÕES DO GOVERNO DE PETRO COM O CLÃ DO GOLFO

O governo do presidente cessante, Gustavo Petro, e o Clã do Golfo vinham mantendo diálogos formais desde setembro de 2025 em Doha, no Catar, embora o processo de negociação tenha sofrido um novo revés em fevereiro de 2026, após o encontro do presidente colombiano com Donald Trump na Casa Branca.

Naquele encontro, Petro solicitou apoio aos Estados Unidos para capturar algumas das principais figuras do conflito armado colombiano, entre elas o líder do Clã do Golfo, Jobanis de Jesús Ávila Villadiego, conhecido como “Chiquito Malo”.

No entanto, as conversas foram retomadas em meados de fevereiro, já em Bogotá, depois que, segundo o Clã do Golfo, o Ministério da Defesa da Colômbia aceitou retirar “Chiquito Malo” de sua lista de “alvos de alto valor”, e houvesse avanços na proposta de conceder ao grupo um status político.

No entanto, o governo sempre reiterou que as operações contra o grupo continuam e apenas permitiu, como parte dos diálogos e enquanto a negociação avança, o traslado para as zonas de localização temporária de seus integrantes sem mandados de extradição, o que, portanto, não beneficia “Chiquito Malo”.

Também conhecido como “Javier”, “Chiquito Malo” assumiu o comando do Clã do Golfo após a captura, em outubro de 2021, de Dairo Antonio Úsuga David, conhecido como “Otoniel”, que durante anos foi a pessoa mais procurada na Colômbia e agora cumpre uma pena de 45 anos de prisão nos Estados Unidos.

De acordo com a Inteligência colombiana, desde 2022, e coincidindo com as primeiras tentativas do governo de estabelecer um processo de negociação, o Clã do Golfo vem aumentando o número de membros e sua presença em outros cenários, o que tem gerado confrontos com outros grupos armados.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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