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MADRID 10 nov. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, pediu desculpas em nome do Estado pela violência que custou a vida de mais de 5.730 pessoas durante décadas, incluindo simpatizantes, candidatos, funcionários públicos e membros da Unión Patriótica, um partido que nasceu em 1985 como parte de uma proposta de paz com as extintas FARC.
"O Estado colombiano deve pedir perdão, não oferecê-lo, porque é corresponsável por um genocídio político", reconheceu em um evento neste domingo em Santa Marta, no âmbito da IV Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e da União Europeia (UE), um ano depois de o governo ter cumprido a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre o assunto.
Os crimes cometidos contra o partido, considerados crimes contra a humanidade pela Procuradoria Geral da República, têm seu próprio processo judicial dentro da Jurisdição Especial para a Paz (JEP), caso 06, que coloca o número de membros do partido assassinados em 5.733, incluindo vários congressistas em exercício e até mesmo dois candidatos presidenciais, Jaime Pardo Leal, em 1986, e Bernardo Jaramillo Ossa, em 1990.
A Corte Interamericana observou na época que os crimes contra a Unión Patriótica foram cometidos com "a participação de agentes do Estado e com a tolerância e aquiescência das autoridades" em resposta à rápida ascensão do partido entre o eleitorado, especialmente em áreas com presença de guerrilheiros e camponeses.
A decisão destacou a "aliança" que se desenvolveu entre grupos paramilitares e amplos poderes econômicos e políticos tradicionais para "neutralizar" o impulso do partido na nova arena política.
"A Colômbia tem visto, há décadas, como as ideias fascistas se tornaram as palavras dos jornais e como a eliminação da diferença se tornou habitual", disse Petro, para quem "não podemos perder tanto sangue ou derramar tanta dor, porque no final, os povos são exterminados e as nações morrem".
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