Europa Press/Contacto/Luisa Borja Luna
MADRID 22 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reiterou nesta segunda-feira sua posição de não reconhecer os resultados das eleições de domingo e denunciou a falta de transparência durante a recontagem, bem como a alteração de “muitas” das atas de apuração das mesas eleitorais, os chamados formulários E-14.
Petro explicou, em uma longa mensagem nas redes sociais, que há evidências de que esses formulários foram adulterados de forma fraudulenta e que, antes do primeiro turno das eleições, solicitou às autoridades uma “auditoria técnica do software” e, já para o segundo turno, que a assinatura digital desses documentos fosse recuperada para garantir que não fossem alterados.
Exigências essas que, segundo ele, não só não foram atendidas pelo secretário eleitoral Hernán Penagos e pelo procurador-geral Gregorio Eljach, como também foram respondidas com acusações de que ele seria “louco e antidemocrático”. “Como se a transparência eleitoral fosse coisa de violentos que querem incendiar o país”, disse ele.
“O que incendeia é a falta de transparência eleitoral (...) Isso já é um caso criminal, um crime contra o voto”, advertiu Petro, que fundamenta suas acusações com um vídeo no qual se observariam essas alterações “premeditadas” e realizadas “nos escritórios dos irmãos Bautista”, em alusão à empresa Thomas Greg & Sons, responsável pela gestão da organização das eleições.
“Eles acharam que somos ingênuos e se esqueceram de que, ao nosso lado, está a cidadania do século XXI, e não a do século XIX, na qual a Registraduría ainda comete fraudes para favorecer amigos políticos em troca de dinheiro, mas não imaginaram que essa prática levaria à perda total da soberania nacional”, enfatizou.
Petro defendeu que seja realizada uma revisão digital de 122.000 formulários E-14 e lembrou que uma decisão proferida em 2018 pelo Conselho de Estado já havia alertado que “o software dos irmãos Bautista (...) é vulnerável a ações internas e externas contra o voto”.
“Eles acreditaram que a soberania nacional era apenas um jogo de esquerdistas, mas essa é a base de uma nação”, disse Petro, acusando o secretário eleitoral Penagos de ter causado “uma grande ferida no íntimo do coração da Colômbia e um dano que a história não apagará”.
Nesse sentido, Petro defendeu a necessidade de um “acordo nacional” que inclua uma reforma profunda do sistema eleitoral colombiano e garanta, assim, “a transparência e a soberania” em futuras eleições. “O resto é trair a ideia inicial pela qual a república foi fundada”, afirmou.
De acordo com os resultados preliminares, o candidato da oposição Abelardo de la Espriella venceu o segundo turno das eleições presidenciais da Colômbia com 49,6% dos votos, apenas 250 mil votos a mais que o candidato sucessor de Petro, Iván Cepeda, que considerou essa estimativa “não oficial” e anunciou que contestará pelo menos 33 mil seções eleitorais.
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