MADRID 18 out. (EUROPA PRESS) -
O presidente colombiano Gustavo Petro anunciou na sexta-feira, em um discurso público, a substituição do general Carlos Fernando Triana como diretor da Polícia Nacional, em meio a críticas sobre a violência recente e discrepâncias nos números de homicídios, ao mesmo tempo em que ordenou a desclassificação imediata dos arquivos de inteligência do antigo Departamento Administrativo de Segurança (DAS).
"A polícia colombiana vai mudar, eu pedi que o diretor fosse trocado, ele fez um ótimo trabalho, mas há algumas falhas que eu acho que temos que superar", argumentou o presidente, fazendo referência direta ao ataque em Amalfi, Antioquia, onde doze policiais perderam a vida.
De acordo com o presidente, esse evento surgiu como um dos principais motivos para iniciar um processo de profunda transformação na instituição, embora não seja o único. Entre outros, ele também fez alusão às ações da Polícia Metropolitana de Medellín durante uma recente marcha pró-palestina, na qual foram registradas várias queixas de supostas agressões.
A esse respeito, Petro expressou sua preocupação e anunciou que espera receber um relatório detalhado sobre o que aconteceu para tomar decisões sobre a continuidade ou mudanças nessa jurisdição. "Não pode haver parapolícia em Medellín, isso é proibido pela Constituição", disse ele, deixando em aberto a possibilidade de estruturas em nível regional.
Por outro lado, o presidente questionou as discrepâncias entre os números de homicídios relatados pela Polícia Nacional e pela Medicina Legal, e lamentou que essa falta de coerência impeça a implementação de políticas de segurança eficazes, o que é uma razão adicional para justificar as mudanças ordenadas na instituição.
"Às cegas não vamos ter uma política eficaz, por isso ordenei mudanças", insistiu, deixando claro que a reforma não será apenas estrutural, mas também técnica e estatística.
Dessa forma, o presidente esclareceu que a renovação do modelo policial que ele propôs não busca apenas combater o crime, mas também oferecer apoio social, especialmente aos jovens. Nesse sentido, ele insistiu na necessidade de uma força policial "capaz de capturar gangues, mas também de se aproximar dos jovens".
Ele também fez um alerta sobre possíveis vínculos entre a Fiscalía e figuras políticas ligadas a organizações criminosas, expressando sua esperança de que as investigações futuras sejam livres de qualquer interferência política.
DESCLASSIFICAÇÃO DE ARQUIVOS DE INTELIGÊNCIA
Em outro anúncio relevante, o presidente teria assinado um decreto ordenando a desclassificação imediata dos arquivos de inteligência e contra-inteligência do extinto Departamento Administrativo de Segurança (DAS).
Durante um ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional no caso do Coletivo de Advogados José Alvear Restrepo, Petro indicou que não esperará até junho de 2026, como inicialmente planejado, e que o processo começará imediatamente.
"O decreto já foi assinado. A reserva dos arquivos de inteligência, contrainteligência e despesas reservadas do extinto DAS foi retirada", disse ele em declarações divulgadas pela mídia local.
No entanto, ele esclareceu que a confidencialidade de certos nomes será mantida, desde que não sejam os responsáveis por atos ilegais.
Com essas decisões, o governo de Gustavo Petro marcou o início de uma série de transformações "profundas" nas forças de segurança do estado que marcam uma mudança na política de segurança e na transparência institucional, em meio às crescentes demandas sociais por uma força pública mais democrática que respeite os direitos humanos.
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