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MADRID, 24 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, comprometeu-se com uma transição política e sinalizou que passará à “resistência pacífica”, apesar de ainda questionar os resultados dessas eleições, das quais, enquanto se aguarda a apuração definitiva, Abelardo de la Espriella saiu vencedor com 49,6% dos votos.
“Começará a transição de poder, minha saída e talvez a resistência pacífica”, concluiu Petro em uma longa mensagem nas redes sociais, na qual comparou esse processo eleitoral da Colômbia com as eleições presidenciais de 2024 realizadas na Romênia, que foram anuladas devido à interferência estrangeira da Rússia.
Nesse caso, Petro destacou que a interferência vem diretamente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e questionou por que aquelas eleições na Romênia foram anuladas e não as da Colômbia, onde houve “uma intervenção estrangeira clara e confessada”.
“Há apenas uma razão para essa enorme contradição mundial do poder que se diz democrático, mas que permite genocídios: na Romênia, quem venceu as eleições não era amigo da Europa Ocidental, mas da Rússia”, afirmou o presidente colombiano.
“Na Colômbia, um presidente estrangeiro, com todo o poder dos mísseis e do dinheiro, confessou que, graças a ele, o cidadão norte-americano Abelardo de la Espriella é presidente; este, em seu juramento para receber a nacionalidade norte-americana, beijou a bandeira e jurou lealdade aos Estados Unidos acima de todas as outras nações da Terra, incluindo a Colômbia”, destacou Petro.
Petro denunciou que a soberania do país foi “derrubada”, assim como na Palestina, na Venezuela, no Irã, embora, no caso da Colômbia, não com mísseis, mas “com muito dinheiro, inclusive o de narcotraficantes e genocidas”, bem como com o controle dos softwares responsáveis pela organização das eleições.
Da mesma forma, embora tenha criticado o fato de os juízes não terem levado em conta “mais de 90%” das reclamações eleitorais e “não quererem ver” que o candidato com “apoio estrangeiro” venceu, ele aceitará as decisões que forem proferidas a esse respeito. “Eu disse que obedecerei aos juízes de apuração e cumpro minha palavra”, afirmou
“Estamos perdendo a pátria com que sonhamos e a máfia armada está chegando para matar o povo”, disse ele, ressaltando que essa intervenção estrangeira é motivo para anular as eleições e “para a rebelião e para pegar em armas”, como já fez quando era jovem; e, embora legitimado, ele não quer “desangrar” o país. “Já correu sangue suficiente”, afirmou.
Petro também aproveitou seu longo discurso para elogiar a figura do candidato Iván Cepeda, que foi falsamente acusado de ser um guerrilheiro comunista. “Ele nunca foi, não tinha armas, apenas livros de filosofia e poesia”, disse ele, lembrando que seu pai foi assassinado “com balas ‘made in USA’, mas disparadas por colombianos que vestiam o uniforme oficial”.
Da mesma forma, agradeceu aos milhões de eleitores que confiaram no projeto político do governo — “essa é a nossa verdadeira vitória (...) o progressismo venceu sem trapaças”, destacou. “Ficamos empatados e, com palavras e multidões, detivemos os mísseis e o dinheiro”, afirmou.
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