Publicado 21/10/2025 18:21

Petro, após a absolvição do ex-presidente Uribe: "Essa é a maneira de encobrir a história do governo paramilitar".

Archivo - Arquivo - 5 de abril de 2025, Pasto, Narino, Colômbia: O presidente colombiano Gustavo Petro participa de um evento na cidade de Pasto, anunciando a destruição de materiais bélicos e a incorporação de programas de substituição de culturas dos "C
Europa Press/Contacto/Camilo Erasso - Arquivo

O antecessor de Petro, Iván Duque, comemora o fato de que "a justiça foi feita".

MADRID, 21 out. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, rejeitou na terça-feira a absolvição pelo Tribunal Superior de Bogotá do ex-presidente Álvaro Uribe (2002-2010) pelos crimes de suborno de testemunhas e fraude processual, que anulou a sentença de doze anos de prisão domiciliar imposta em primeira instância.

"Isso encerra a história da governança paramilitar na Colômbia, ou seja, a história dos políticos que chegaram ao poder aliados ao narcotráfico e que desencadearam o genocídio na Colômbia", disse ele em seu perfil na rede social X, onde sustentou que o tribunal "repete a história".

Nesse sentido, ele denunciou o fato de que o Tribunal Superior de Bogotá contradisse a Suprema Corte ao considerar que a interceptação do telefone de Uribe como prova era ilegal e violava seu direito à privacidade. "Afirma-se que a interceptação feita por um magistrado da Suprema Corte de um criminoso, na qual aparece a voz de Uribe falando sobre subornos, é privacidade", criticou.

Petro relacionou o ocorrido com a situação internacional, assegurando que seu homólogo norte-americano, Donald Trump, "aliado a esses políticos e a Uribe, buscará sancionar o presidente que denunciou em sua vida as alianças entre o poder político colombiano e o narcotráfico paramilitar na Colômbia", no contexto da nova crise diplomática entre Bogotá e Washington sobre a luta contra o narcotráfico.

O chefe de Estado colombiano acrescentou que na Comissão de Acusações da Câmara dos Deputados "já estão procurando um golpe de Estado" e afirmou que entre os promotores dessa iniciativa estariam "os envolvidos no desvio de dinheiro da Fomag", em relação à controvérsia sobre o sistema de saúde dos professores.

Por fim, ele convocou uma mobilização cidadã para esta sexta-feira na Plaza Bolívar de Bogotá, onde, conforme afirmou, terá início a coleta de assinaturas para o chamado poder constituinte: "Chegou a hora das definições e não é Trump quem define, é o povo", concluiu.

DUQUE: "A JUSTIÇA FOI FEITA".

Por sua vez, o antecessor de Petro, Iván Duque (2018-2022), garantiu que "a justiça foi feita" e que "a inocência que Uribe provou ao longo de sua vida, e depois de tantas infâmias, prevaleceu". Ele parabenizou Uribe, sua equipe jurídica e sua família "por essa grande vitória da democracia e do Estado de Direito".

"Sua coragem, honestidade, patriotismo e compromisso com a legalidade derrotaram tantos malfeitores que tentaram punir sua batalha contra o crime. O tribunal derrotou todas as irregularidades do processo com transparência e rigor", disse o ex-chefe de Estado colombiano.

Por outro lado, Juan Manuel Santos, que liderou o país antes de Duque e depois de Uribe, entre 2010 e 2018, limitou-se a enfatizar que a decisão do tribunal "deve ser recebida com respeito". "As decisões da justiça são sempre respeitadas, não de acordo com a conveniência ou cálculo político. A independência judicial é a base de uma democracia sólida", concluiu.

O juiz Manuel Antonio Merchán, do Tribunal Superior de Bogotá, declarou a inocência do ex-presidente e do ex-senador e criticou a primeira decisão, argumentando que ela apresentava deficiências estruturais na avaliação das provas, bem como erros metodológicos e falta de rigor lógico na análise de testemunhos e documentos.

Em 1º de agosto, Uribe tornou-se o primeiro ex-presidente colombiano a ser condenado criminalmente. Além da sentença de doze anos de prisão domiciliar, o juiz impôs uma multa de mais de 3,444 milhões de pesos, equivalente a 2.420 salários mínimos (cerca de 720.700 euros).

A origem do caso remonta a 2012, quando Uribe denunciou o senador Iván Cepeda por ter tentado comprar falsos testemunhos contra ele nas prisões do país sobre sua relação com o nascimento do paramilitarismo em Antioquia. No entanto, tudo deu uma guinada quando várias pessoas provaram o contrário.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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