Europa Press/Contacto/Jorge Londono
MADRID, 20 mar. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, garantiu nesta sexta-feira que “nunca” teve qualquer relação com traficantes de drogas, horas depois de ter sido divulgada a abertura de um processo pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos por supostas ligações com o narcotráfico e o financiamento de sua campanha com dinheiro proveniente do tráfico de drogas.
"Como bem sabe (o jornal) 'El Espectador', na Colômbia não existe uma única investigação sobre minha relação com narcotraficantes, por uma única razão: nunca na minha vida falei com um traficante de drogas”, declarou nas redes sociais, onde ressaltou que dedicou “dez anos da (sua) vida (...) a denunciar as ligações entre os traficantes de drogas mais poderosos e os políticos no Congresso e nos governos locais e nacionais”.
O presidente quis lembrar que esse trabalho colocou em “risco (sua) existência e provocou o exílio de (sua) família” durante um período que ele chamou de “época da governança paramilitar”.
Em alusão à campanha eleitoral que o levou à Presidência da Colômbia em 2020, Petro reiterou que em sua candidatura não foram aceitas “doações nem de banqueiros nem de narcotraficantes” e defendeu que a investigação “produtiva e intensa” aberta nesse sentido não encontrou “nem um único peso proveniente de narcotraficantes”. “É minha ordem e meu princípio pessoal como líder político”, assegurou.
Assim, ele considerou que qualquer processo aberto nos Estados Unidos “servirá para desmontar as acusações da extrema direita colombiana, que sim está articulada (...) com os narcotraficantes da Colômbia”.
O governo da Colômbia, por sua vez, emitiu um comunicado garantindo que “nenhuma autoridade competente emitiu qualquer decisão ou notificação formal” sobre as investigações contra Petro, e denunciando que as informações divulgadas “carecem de fundamento jurídico e factual”.
Foi o que afirmou a Embaixada da Colômbia nos Estados Unidos, que pediu que as publicações fossem lidas “em seu contexto integral” e abordadas “com a cautela que esse tipo de versão não verificada exige”.
A representação diplomática em Washington lembrou que Petro “enfrentou de forma consistente e inequívoca a criminalidade, tanto na Colômbia quanto durante seus anos no exílio, ao qual foi obrigado após denunciar atos ilícitos”, ao mesmo tempo em que defendeu a “ação sustentada, visível e firme contra a ilegalidade, incluindo a luta contra as organizações criminosas transnacionais ligadas ao narcotráfico” do presidente.
Isso “reflete um compromisso constante com a justiça, a integridade institucional e o Estado de Direito” por parte de Petro, indicou Bogotá, ressaltando que “sua trajetória se baseia em fatos comprováveis, não em versões especulativas”.
Essas declarações surgem depois que fontes citadas pelo “The New York Times” revelaram que as promotorias de Manhattan e Brooklyn estão conduzindo as investigações contra Petro, que se encontram em fase inicial e contaram com a colaboração da Agência Federal Antidrogas (DEA) e do Serviço de Investigação de Segurança Nacional (HSI).
O anúncio ocorre em um momento em que a relação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu homólogo colombiano havia se estabilizado, incluindo a visita deste à Casa Branca, após vários meses de ameaças, acusações e até mesmo insultos por parte do americano.
Trump chegou a classificar Petro como “lunático com problemas mentais”, chegando até a ameaçar com uma intervenção militar, no que seria uma espécie de prelúdio da histórica operação norte-americana em Caracas, em janeiro de 2026, para deter o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.
Além disso, isso ocorre em plena campanha eleitoral na Colômbia, onde o candidato alinhado ao presidente Petro, Iván Cepeda, parte como grande favorito para as eleições, marcadas para o próximo dia 31 de maio.
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