Publicado 17/04/2026 08:54

Petro afirma que a direita venezuelana "não é democrática" e que Machado pode estar agindo por "vingança política"

Archivo - Arquivo - 8 de março de 2026, Bogotá, Bogotá D.C., Colômbia: O presidente colombiano Gustavo Petro dá início ao dia das eleições durante as eleições legislativas de 2026, em 8 de março de 2026, em Bogotá. Imagem: 1081113386, Licença: Direitos ge
Jorge Londono / Zuma Press / ContactoPhoto

BARCELONA 17 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta sexta-feira que a direita venezuelana “não é democrática” e sugeriu que existe “um grande temor” naquele país de que a líder da oposição María Corina Machado, caso chegue ao poder, aja movida por “uma espécie de vingança política”.

“Na Venezuela, existe um grande temor entre o povo de que Corina retorne”, afirmou o presidente colombiano em entrevista ao programa ‘Los Desayunos’, da RTVE e da EFE, durante sua participação na cúpula progressista de Barcelona. E questionou o caráter democrático dessas formações, tanto na Venezuela quanto na Colômbia: “temos esse mesmo medo se o povo decidir votar na direita colombiana, porque essas direitas não são democráticas”.

Petro insistiu mais uma vez em sua proposta para a Venezuela de um governo de transição política, no qual liberais e conservadores se alternem no poder e, com isso, “dêem confiança” a ambas as partes de que nenhuma tem a intenção de eliminar a outra. “Essa confiança permitiria eleições verdadeiramente livres”, avaliou.

Nesse sentido, explicou que as eleições presidenciais de 2024 na Venezuela não foram livres porque foram realizadas sob sanções e não se permitiu a participação de toda a oposição, em clara alusão a Machado.

“Eleições sob sanções são extorsão, não são livres. Lá não houve eleições livres por duas razões: porque não deixaram a oposição participar e porque não suspenderam as sanções contra o governo”, afirmou.

Um governo de conciliação que poderia se prolongar por “um ou dois anos”, previu o presidente colombiano. “Lá tem que surgir uma alternativa (...) Uma Venezuela sem petróleo”, disse ele. Um recurso que “atrai mísseis” e que, para Petro, tem sido uma “maldição” para aquele país.

“Se a Venezuela se livrar do petróleo, ela voltará à liberdade; quem fará isso, não faço ideia, o povo decide livremente, nisso eu não me meto”, disse Petro, que garantiu já ter exposto ao presidente Nicolás Maduro que ele deveria apostar na “descarbonização” da economia de seu país.

“Minha linha progressista em torno da descarbonização da economia, ou seja, nos livrarmos do petróleo e do carvão (...) não soa bem na Venezuela, porque a Venezuela vem vivendo do petróleo quase que exclusivamente há um século”, observou Petro.

ACUSAÇÃO CONTRA MADURO E VISITA A DELCY RODRÍGUEZ

Com relação a Maduro, Petro, que afirmou não se considerar seu amigo, colocou em dúvida as acusações de tráfico de drogas que um tribunal dos Estados Unidos apresentou contra ele após sua detenção em janeiro deste ano em Caracas, e defendeu que, caso seja julgado, isso deva ocorrer na Venezuela.

"Eu afirmei publicamente que Maduro, caso tenha cometido crimes, deve ser julgado por um tribunal venezuelano ou por um tribunal internacional que organizemos em conjunto para questões relacionadas ao tráfico de drogas", propôs, embora rejeite que essas acusações sejam verdadeiras com base em suas próprias investigações e nas das autoridades colombianas.

“O nome que nós temos é Cartel da Junta do Tráfico Internacional de Drogas e não se chama dos Soles. São albaneses, uma máfia confederada de máfias já existentes: italiana, mexicana, colombiana. "Brasileiros, há franceses; capturamos 38 nacionalidades diferentes em Bogotá e Medellín", relatou.

Além disso, anunciou que viajará no dia 24 de abril para Caracas, sugerindo que se reunirá com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. "Se Maomé não vem a mim, eu vou até a montanha", disse Petro.

Da mesma forma, ele destacou que a reunião que ambos iriam realizar há um mês na fronteira foi cancelada por um “excesso de medo” por parte de Rodríguez, que também rejeitou outra proposta para se encontrarem em Cartagena devido a esse mesmo sentimento de inquietação. “Ela tem medo, não entendo por quê”, disse ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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