Publicado 06/04/2025 03:35

Petro acusa os EUA de fortalecer o Tren de Aragua com seu bloqueio à Venezuela

O presidente colombiano lamenta que as sanções tenham deixado a juventude venezuelana em uma "exclusão total" da qual está surgindo "mais violência".

18 de março de 2025, Bogotá, Cundinamarca, Colômbia: O presidente colombiano Gustavo Petro acena e faz um discurso enquanto manifestantes seguram cartazes e faixas em apoio às diferentes reformas propostas por seu governo em Bogotá, Colômbia, em 18 de mar
Europa Press/Contacto/Jorge Londono

MADRID, 6 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, apontou os Estados Unidos como responsáveis por fortalecer a organização criminosa do Trem de Aragua com seu bloqueio à Venezuela, país de origem desse grupo, cujos membros estão agora na mira da política de imigração endurecida da administração Trump.

Petro dedicou na noite deste sábado uma mensagem a um dos braços executores de Trump em matéria de migração, a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, que veio visitar a grande prisão salvadorenha de CECOT, onde as agências de segurança dos EUA estão expulsando dezenas de supostos membros dessa organização no calor do momento.

"O bloqueio jogou centenas de milhares de jovens venezuelanos, que estavam vivendo bem na Venezuela, na exclusão total em bairros e países estrangeiros, e da exclusão só vem mais violência, como demonstrado pela experiência da violência colombiana de 76 anos", disse o presidente colombiano.

Noem e Petro se reuniram em 27 de março em Bogotá, no que o secretário dos EUA disse depois ter sido um encontro bastante tenso. "Começou com ele", disse Noem, "criticando nosso governo por cerca de meia hora e falando sobre como os membros do Trem de Aragua são incompreendidos, que na verdade eram apenas pessoas que precisavam de mais amor e compreensão. Ele falou sobre como alguns dos membros do cartel eram seus amigos".

Em resposta, Petro atribuiu parte da tensão à sua falta de domínio do inglês e negou que tenha criticado Donald Trump por meia hora, disse ele ontem da cidade de Pasto. Mais tarde, nas redes sociais, o presidente colombiano indicou que usou a franqueza porque "é a base" da diplomacia.

"As mentiras só trazem guerras, a verdade traz paz; eu disse a ele a verdade sobre a experiência colombiana e a migração. A Colômbia é o país dos Cem Anos de Solidão, que nada mais é do que o fato de termos nos matado uns aos outros durante cem anos. É por isso que a convidei para ver o salão de Gabriel García Márquez", explicou, em referência ao escritor desse clássico literário.

Em suma, Petro concluiu que "a melhor maneira de acabar com a violência do Trem de Aragua é permitir que os jovens da Venezuela vivam bem em seu país", como aconteceu na Colômbia, disse ele, embora ainda haja "um longo caminho a percorrer".

"Só haverá mais violência se crianças de 14 anos forem presas ou se a população venezuelana for levada para as prisões de Bukele. O amor acaba com a violência, Kristi, Jesus ensinou isso há muito tempo", acrescentou Petro, antes de acusar Noem de mentir quando ela o vinculou diretamente ao Trem de Aragua.

"Não sei por que você diz que eu disse que tinha amigos no trem de Aragua. Nunca conheci um único membro do cartel em toda a minha vida: eu disse que, ao romper os laços entre o poder político e os narcotraficantes, a máfia foi enfraquecida e que eu esperava sua colaboração nisso", respondeu ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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