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MADRID 31 mar. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou na segunda-feira a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) de "trair a paz" e "abandonar os ideais revolucionários" ao escolher "o caminho da ganância e do tráfico de drogas" em vez do caminho para um futuro pacífico.
"Não estou procurando votos, senhora ELN, que traiu seu papel de negociadora, estou procurando a paz que os senhores do ELN não entenderam; e acredito que nunca entenderão", disse o presidente em resposta às críticas feitas contra o governo, com o qual eles afirmam que "não haverá paz".
Petro, que advertiu que o tempo está correndo "contra os guerrilheiros", acusou o ELN de ter abandonado as comunidades camponesas e optado por "enriquecer por meio da economia ilegal, o que os torna um grupo mafioso". Dessa forma, ele respondeu às declarações de "Silvana Guerrero", comandante da Frente Nordeste do ELN, que considera que a política das autoridades "fracassou" em relação à guerrilha.
"Quando você deixa de conviver com os camponeses e (...) a comida é comprada com o dinheiro da cocaína, você deixa de ser um revolucionário e rapidamente se torna um traficante de drogas", destacou, em uma tentativa de usar o conceito utilizado pelos próprios guerrilheiros como parte de sua ideologia política.
"A paz é revolucionária e é por isso que a oligarquia nos mergulhou em cem anos de solidão, de matança mútua, a violência de dois séculos", afirmou Petro em uma mensagem divulgada nas redes sociais, na qual questionou "o rumo" seguido pelo ELN.
Suas declarações foram feitas depois que o governo anunciou a suspensão das negociações de paz com a guerrilha e declarou "estado de comoção" em Catatumbo devido ao aumento da violência na região colombiana, onde o grupo luta com dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) pelo controle territorial.
Essa onda de violência deixou dezenas de mortos e milhares de desabrigados em um curto espaço de tempo, conforme denunciado pelo governo, que descreveu a situação nessas áreas no nordeste do país latino-americano como uma "perturbação extraordinária da ordem pública", de acordo com informações do jornal colombiano 'El Tiempo'.
Silvana Guerrero', por sua vez, afirmou que a luta da guerrilha "busca transformações, mudanças" e negou ter vínculos com o tráfico de drogas, uma posição que entra em conflito com a do próprio Petro, que acusa o ELN de "assassinar o povo de Catatumbo".
Desde o início de 2025, o governo colombiano lançou operações militares na fronteira com a Venezuela e nomeou um comando unificado em Catatumbo para lidar com a violência resultante do conflito entre os grupos armados instalados na área.
O estado de "comoção" é uma medida excepcional que, de acordo com a Constituição, pode ser decretada pelo presidente colombiano em caso de "grave perturbação da ordem pública que ameace iminentemente a estabilidade institucional, a segurança do Estado ou a convivência cidadã".
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