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BARCELONA 17 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou nesta sexta-feira que seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, está fortemente influenciado por um grupo de pessoas “cada uma com uma agenda diferente”, entre elas o secretário de Estado, Marco Rubio, “imbuído de um fundamentalismo sionista” que “esquece a diversidade latino-americana”.
“Vejo aí uma bolha que me parece não ser positiva para as relações entre americanos” e “quando ele consegue o contato pessoal, então as bolhas se enfraquecem”, avaliou o presidente da Colômbia em entrevista para o programa ‘Los Desayunos’ da RTVE e da EFE, durante sua passagem pela cúpula progressista de Barcelona.
Petro acredita que Donald Trump saiu com outra percepção sobre ele após o encontro que mantiveram na Casa Branca no início de fevereiro, após meses de tensões e ataques verbais entre um e outro que tiveram como um de seus momentos culminantes as ameaças do americano de prendê-lo, tal como havia feito um mês antes com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
“Acredito que conhecer-se é importante”, afirmou Petro, que sugeriu que é a “série de bolhas de pessoas alheias a ele”, “cada uma com uma agenda diferente e competindo entre si”, que influencia em muitas ocasiões a forma como o presidente dos Estados Unidos age.
Nesse sentido, ele apontou diretamente para a beligerância do secretário de Estado, que “apesar de sua origem latina”, “está imbuído de um fundamentalismo sionista”, o que “leva a um fundamentalismo sectário e ideológico”, que “divide a América Latina entre direita e esquerda”.
“Ele esquece a diversidade latino-americana, nos encaixa em um único padrão. Ele vê Fidel Castro em cada um de nós, e nem sequer conheceu Fidel Castro. Porque eles saíram de Cuba antes da Revolução Cubana”, disse ele, referindo-se ao passado familiar de Rubio.
Petro contou como explicou a Trump que todas aquelas acusações que o ligavam ao tráfico de drogas não eram verdadeiras e relatou alguns dos episódios violentos que ele próprio sofreu por combater o crime organizado, como quando conseguiu escapar de uma armadilha que a própria polícia lhe havia armado em 2018.
Assim, o líder colombiano destacou que há duas décadas, mesmo correndo o risco de sofrer tentativas de assassinato “que estão até no YouTube”, se dedica a revelar e denunciar as ligações de uma parte da classe política e empresarial colombiana com o tráfico de drogas. “Isso foi a primeira coisa que mostrei a Trump, no dia em que iam me matar enquanto eu estava dentro de um carro blindado a caminho de uma manifestação em Cúcuta”, relatou.
“Acho que Trump teve a experiência de conversar com outro ser humano diferente dele (...) Somos diferentes, pensamos diferente. Você tem uma história, eu tenho outra. E nosso dever é aproveitar esse encontro para fazer um grande pacto pela vida (...) Ele ria, ele aceitava, senti que nos dávamos bem”, lembrou.
Outra dessas influências sobre Donald Trump de que Petro falou é a exercida pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a quem ele aponta como responsável por ter desencadeado a guerra no Irã.
“Outra bolha, a de Netanyahu, sabemos agora pela imprensa. Eu pensei: seria Rubio, não, Netanyahu. Ele o leva a algo que me parece tolice, que são os mísseis no Irã”, avaliou Petro, que aproveitou para aplaudir a posição de vanguarda da Espanha na Europa em relação a essa questão.
REJEITA QUE A EXTREMA-DIREITA AVANCE NA AMÉRICA DO SUL
O presidente colombiano também rejeitou que o avanço da extrema direita, que definiu como “fascista”, esteja ganhando terreno na América Latina e citou como exemplo a Argentina, onde “a maioria da população quer mudar esse governo, e o fará se tiver a oportunidade”, ou o Peru.
No Peru, destacou ele, o movimento político e social que levou Pedro Castillo à Presidência está novamente na disputa, como demonstra o fato de estar muito próximo de disputar o segundo turno das eleições. Nesse país, disse ele, “estão atuando as duas forças: o fascismo e a democracia popular”.
Da mesma forma, ele ressaltou que na Colômbia as forças progressistas continuam à frente, conforme indicam as pesquisas para as eleições de maio. “Temos alguns presidentes dispostos a se ajoelhar, outros não”, disse Petro para criticar alguns líderes da região que atuam como “cortesãos” de Trump.
“Vejo alguns presidentes da América Latina praticamente como se fossem cortesãos, como se tivéssemos um novo rei”, disse ele para contrastar com o que foi seu encontro com o presidente dos Estados Unidos. “Outros dizem não, vamos nos olhar de igual para igual; essa foi a minha reunião com Trump”, destacou.
“Na América Latina, não se pode dizer que as forças da extrema direita se lançaram e estão tomando país por país. Sempre em conflito, sempre que, espero, seja pacífico, mas está em disputa”, disse ele.
Uma região na qual ele acredita que “a maior parte da população” se rege por princípios progressistas. “No plural, não é uma visão única, são nuances diversas, mas todos progressistas. México, Brasil, Colômbia, e assim por diante”, expôs.
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