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O governo de Fujimori nega que “o Irã incite à violência e à escalada de conflitos no Oriente Médio”, sem fazer menção aos EUA
MADRI, 2 set. (EUROPA PRESS) -
O governo do Peru, sob a presidência de Keiko Fujimori, decidiu “romper relações diplomáticas” com o Irã — mas não as consulares — alegando “a deterioração” da democracia, “a interrupção do comércio internacional pelo Estreito de Ormuz”, e a “obstrução” por parte de Teerã às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em seu território.
“O Governo da República do Peru tomou a decisão de romper relações diplomáticas com a República Islâmica do Irã”, afirma o comunicado publicado pelo Ministério das Relações Exteriores peruano no site do governo, onde se esclarece que isso “não implica o rompimento das relações consulares” e que a decisão “foi comunicada ao Irã por meio de nota diplomática, através da Embaixada daquele país no Equador, que atua como Missão Concorrente junto ao Peru”.
O Executivo liderado por Fujimori declarou observar “com crescente consternação a deterioração” da democracia no Irã, “especialmente no que se refere à repressão de manifestações pacíficas, à violação da liberdade de imprensa, à discriminação contra mulheres e meninas, e a perseguição a opositores políticos”.
Além disso, manifestou sua “profunda preocupação” com o que descreveu como “restrições severas impostas pelo regime iraniano” e “a interrupção do comércio internacional pelo Estreito de Ormuz desde março de 2026”.
Tais condutas, argumenta Lima, “violam princípios como a liberdade de navegação e o direito de passagem pelos estreitos utilizados para o tráfego marítimo internacional, que não podem estar sujeitos a condicionamentos unilaterais”.
O Peru enfatizou “a segurança da navegação, a proteção da vida humana no mar e a preservação do meio marinho”, ao mesmo tempo em que destacou “as repercussões sobre os preços da energia e a estabilidade das cadeias globais de abastecimento” decorrentes das ações que denuncia.
Além disso, criticou Teerã por “obstruir o trabalho da Agência Internacional de Energia Atômica, aos cujos inspetores negou, em diversas ocasiões, o acesso a instalações nucleares, dificultando a verificação necessária para impedir a produção de armas nucleares”.
Paralelamente, o governo de Fujimori destacou que “rejeita igualmente de forma enérgica que o Irã incite à violência e à escalada de conflitos no Oriente Médio”, em aparente alusão à retomada da troca de ataques entre a República Islâmica e os Estados Unidos — país que não é mencionado no comunicado —, no qual a Guarda Revolucionária Islâmica e o Exército iranianos responderam a Washington com ataques contra alvos norte-americanos em diversos países da região, como Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
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