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A polícia chama o policial que matou o manifestante de "herói"
MADRID, 24 out. (EUROPA PRESS) -
Os primeiros dez dias do mandato do presidente peruano José Jerí resultaram em pelo menos 54 mortes violentas, incluindo a de um manifestante durante os primeiros protestos contra sua administração, que foram realizados cinco dias depois que ele recebeu a faixa presidencial após a demissão de Dina Boluarte.
De acordo com os números oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Mortes (Sinadef), 54 homicídios foram registrados entre 10 e 21 de outubro. No Peru, ocorre um a cada quatro horas. As regiões mais afetadas são Lima, com 22 casos, e La Libertad, com uma dúzia.
Esses assassinatos fazem parte dos 1.798 que foram registrados entre 1º de janeiro e o presente, números que podem ser ainda maiores. O questionado governo de Boluarte chegou ao fim após meses de protestos contra a ineficácia das autoridades em lidar com um grave problema de insegurança e criminalidade.
Sua saída de Boluarte, que até então havia resistido a várias tentativas de se livrar dela, foi acelerada após um tiroteio em um show em Lima, que deixou várias pessoas feridas, inclusive os próprios músicos.
A primeira medida tomada pelo presidente Jerí - também muito questionado e com um histórico de má conduta sexual - foi decretar estado de emergência em Lima e Callao, uma medida que não funcionou com seu antecessor e que não impediu o assassinato de um policial em suas primeiras horas de vigência.
Apesar de recorrer ao estado de emergência, os homicídios e a extorsão têm aumentado, especialmente contra os trabalhadores do setor de transportes, que estiveram na vanguarda das últimas manifestações. Essa medida, conforme denunciada por coletivos e pela oposição, visa diretamente o direito de protesto.
Os críticos do estado de emergência apontam que a presença dos militares nas ruas não combate as redes de extorsão que são lançadas por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens móveis. A proposta de Boluarte aos transportadores foi que eles não atendessem ligações de números desconhecidos.
PRIMEIRA MORTE DE UM MANIFESTANTE
Jerí se juntou à desonrosa lista de presidentes peruanos com uma morte nas costas durante uma manifestação contra seu governo. Alguns, como Manuel Merino, deixaram o cargo apenas cinco dias após a posse, assim que as primeiras mortes nos protestos foram confirmadas, ao contrário de outros, como Boluarte, que agora, sem imunidade, enfrenta uma investigação sobre a morte de 49 manifestantes.
Cinco dias depois de receber a faixa presidencial, Jerí teve que enfrentar sua primeira contra-manifestação, dessa vez liderada por grupos de estudantes e jovens que, além da insegurança, protestavam contra a falta de oportunidades. Essa manifestação deixou dezenas de feridos e um morto.
Eduardo Ruiz Sanz morreu, de acordo com a autópsia, em decorrência de um tiro disparado pelo policial Luis Magallanes, que estava vestido com roupas civis na ocasião. Uma morte que, para o recém-nomeado primeiro-ministro, Vicente Tiburcio, não teria tido um custo político.
Por sua vez, a polícia, depois de assumir a responsabilidade pelo ocorrido e anunciar uma investigação, acabou reconhecendo o suboficial Magallanes como um "herói" que agiu em "legítima defesa", apesar de essa versão contradizer as imagens que registraram a morte de Sanz.
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