Todos eles, incluindo o ex-chefe da ONPE, teriam beneficiado indevidamente a empresa contratada para o transporte dos materiais eleitorais
MADRID, 26 maio (EUROPA PRESS) -
A Controladoria Geral do Peru encontrou indícios de que pelo menos uma dezena de funcionários da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) cometeram irregularidades “graves” que impediram mais de 55.000 eleitores da Região Metropolitana de Lima de votar durante as eleições gerais de 12 de abril.
No âmbito das investigações sobre as supostas irregularidades cometidas na ocasião, o órgão publicou um relatório no qual acusa esses funcionários de “alterar as regras do concurso para favorecer uma empresa de transportes” e aprovar pagamentos adicionais “sem justificativa técnica ou legal”.
Entre os acusados está Piero Corvetto, ex-chefe da ONPE, que no início de maio foi submetido a medidas cautelares que o impediam de sair do país por pelo menos um ano e meio.
A Controladoria indicou que todos eles beneficiaram indevidamente a empresa contratada para o transporte dos materiais eleitorais, num valor total de cerca de 6,3 milhões de soles (cerca de 1,5 milhão de euros), segundo informações do jornal peruano “La República”.
Os avaliadores da ONPE, Lilia Flores Bancho e William García Velásquez, alteraram os requisitos para favorecer um licitante específico ao modificar a dimensão exigida para os caminhões quando se detectou que a empresa Hermes Transportes Blindados SA era a que apresentava a melhor oferta. Além disso, constatou-se que eles enviaram informações imprecisas sobre a capacidade de carga dos veículos para atribuir-lhe uma pontuação que não lhe cabia.
“Confirma-se que o critério aplicado de reduzir em dois metros o comprimento das unidades veiculares não estava previsto em nenhuma parte dos termos de referência ou em outro documento, evidenciando ações dos avaliadores à margem das regras definitivas e inalteráveis das bases de seleção e diretrizes de contratação”, consta no documento.
Graças a essa modificação, a opção mais conveniente foi rejeitada e o contrato foi concedido à empresa Galaga SAC, cuja proposta era mais cara em comparação com o candidato que deveria ter vencido legitimamente a licitação. Além disso, a empresa não possuía caminhões próprios: prestou o serviço com 92% de veículos alugados de terceiros e apenas 8% de caminhões próprios.
ATRASOS NAS TRANSPORTES
Devido à falta de planejamento, os equipamentos de informática utilizados para os treinamentos foram entregues com atraso, o que alterou o cronograma estabelecido para a votação, conforme indicam essas investigações.
Um dia antes da votação, os responsáveis reprogramaram as rotas de entrega para 553 locais e informaram que os caminhões demorariam entre 3 e 4 horas para chegar, quando, na verdade, precisavam de pelo menos 8 horas de viagem.
Essa falta de coordenação fez com que o material chegasse atrasado a 3.605 seções eleitorais e impediu a instalação de 187 seções eleitorais na Região Metropolitana de Lima, o que afetou o direito de voto de um total de 55.261 eleitores.
A gestão do próprio Corvetto ficou em entredito depois que esses eleitores denunciaram não terem podido exercer seu direito de voto no domingo, 12 de abril, pelo que as autoridades tiveram que prorrogar a votação até segunda-feira, dia 13.
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