Publicado 11/04/2026 03:19

O Peru busca pôr fim a uma década de crise política com um número recorde de candidatos à Presidência

Os peruanos também votam para eleger um Congresso que volta a ser bicameral e menos representativo após as últimas reformas

Archivo - Arquivo - 6 de março de 2026, Lima, PERU: LIMA, 6 DE MARÇO DE 2026. Foto da cédula eleitoral maior e mais cara da história, eleições gerais de 2026. Fotos: Joel Alonzo/GEC
Europa Press/Contacto/El Comercio - Arquivo

MADRID, 11 abr. (EUROPA PRESS) -

Os peruanos têm diante de si, neste domingo, uma nova oportunidade de reverter a crise política pela qual o país vem passando na última década, com oito presidentes, incluindo o atual, votando em eleições gerais históricas devido a um aumento de até 8% no censo eleitoral em relação a 2021 e porque poderão escolher entre 35 candidatos à presidência, um número recorde que prenuncia uma fragmentação do voto sem precedentes.

Entre os candidatos que compõem uma cédula ridiculamente enorme — com 42 centímetros de largura por 44 de altura —, nenhum ultrapassa 15% de apoio nas pesquisas e apenas cinco têm chances de passar para o segundo turno marcado para 7 de junho, segundo indicam as pesquisas, que refletem igualmente 17% de indecisos.

Os candidatos ultraconservadores voltam a dominar as preferências do eleitorado, com Keiko Fujimori (Força Popular) na liderança, com 14,5% dos votos. A filha do ex-presidente Alberto Fujimori concorre pela quarta vez, tendo chegado ao segundo turno em 2016 e 2021, dos quais saiu derrotada por uma margem mínima e se autoproclamou vítima de fraude.

O segundo colocado, com 10% dos votos, é Carlos Álvarez (País para Todos), um conhecido humorista de televisão que se tornou político. Seu perfil é o já clássico suposto “outsider” que pretende canalizar o descontentamento do eleitorado com base em piadas e populismo punitivo, neste caso, prometendo a pena de morte e prisão perpétua para assassinos e extorsionários.

Álvarez, que foi visto no encerramento da campanha imitando — com um senso de humor no mínimo questionável — o também candidato César Acuña, subiu nas pesquisas até ultrapassar por algumas décimas o ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga (Renovación Popular), representante da direita tradicional, que, assim como o comediante, também prometeu mão dura contra o crime.

No entanto, os críticos de Álvarez, entre muitas outras coisas, lembram-lhe como ela usou seus programas de televisão para fazer campanha por Alberto Fujimori nos anos 90 e ridicularizar seus rivais. Após dez anos à frente do Peru, o pai da atual candidata foi condenado por crimes contra a humanidade.

Atrás deles aparecem quatro candidatos que, apesar de terem menor intenção de voto, mantêm certa competitividade para chegar ao segundo turno. Entre eles, as principais opções da esquerda, como Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru), com 4,9% dos votos e uma agenda que inclui mais direitos, reforço dos serviços e o perdão ao ex-presidente Pedro Castillo.

O ex-reitor da Universidade Nacional de Engenharia e ex-diretor do Banco Central do Peru, Alfonso López Chau (Agora Nação), e o ex-ministro Jorge Nieto (Partido do Bom Governo) são as opções que apostam no centro progressista, enquanto o jornalista Ricardo Belmont (Cívico Obras) já demonstrou seu machismo e sua homofobia em várias ocasiões.

Os demais candidatos, muitos deles completamente desconhecidos, ultrapassam por pouco, na melhor das hipóteses, os 4% dos votos. Uma fragmentação do voto pela qual o poderoso Congresso atual é em grande parte responsável, pois em 2023 votou a favor da eliminação das primárias abertas, simultâneas e obrigatórias (PASO), que estabeleciam porcentagens mínimas para participar das eleições gerais.

ELEIÇÕES GERAIS, ALÉM DA CASA PIZARRO

Além de eleger o presidente da República, os peruanos são chamados a renovar seus representantes no Congresso, com mais de 10.000 candidatos concorrendo a um Congresso bicameral que não existia desde a década de 1990 e para o qual é necessário pelo menos 5% dos votos para ser eleito. Aos 130 candidatos à Câmara dos Deputados e aos cinco do Parlamento Andino somam-se agora os 60 do Senado.

As últimas pesquisas indicam que a Câmara dos Deputados será composta por cinco partidos. A Fuerza Popular, de Fujimori, seria a principal bancada, com até 39 cadeiras. Renovación Popular (30), Juntos por el Perú (29), Ahora Nación (23) e Partido del Buen Gobierno (9) completariam o panorama parlamentar.

Com 21 representantes, o Fuerza Popular seria também a força hegemônica no novo Senado, que se apresenta ainda mais poderoso e intervencionista do que a Câmara dos Deputados, seguido pelo Juntos por el Perú e pelo Ahora Nación, com 14 cadeiras cada, três a mais que o Renovación Popular de López Aliaga.

Embora entre os cerca de trinta candidatos à presidência haja cerca de quinze que omitiram informações em sua declaração juramentada de currículo, no topo das irregularidades encontram-se cerca de 500 candidatos a alguma dessas câmaras com condenações por diversos crimes, entre eles 51 relacionados a casos de violência doméstica, seja por violência física ou por não cumprir com a pensão alimentícia.

Há candidatos com condenações por roubo, denúncias por dirigir embriagados, agressão, lesões ou por proferir ameaças de morte. A Aliança para o Progresso (APP), de direita, do candidato César Acuña, é o partido que apresenta o maior número de condenados, com 53, contra os 32, por exemplo, da Força Popular.

Nos últimos anos, o Congresso tem empossado e destituído quantos presidentes quis, provocando uma instabilidade significativa que impediu, entre outras coisas, o enfrentamento de uma das maiores crises de segurança dos últimos anos, enquanto cresce a rejeição da população às instituições.

Nunca antes os peruanos puderam escolher entre tantos candidatos; resta saber se serão capazes de conter a galopante crise institucional e de credibilidade política, com um eleitorado preocupado com a insegurança, a corrupção e o desemprego.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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