MADRID 27 fev. (EUROPA PRESS) - O novo gabinete da primeira-ministra do Peru, Denisse Miralles, tem pelo menos cinco ministros investigados devido a diversas irregularidades, incluindo ela própria, por supostos crimes ambientais quando estava à frente de uma agência de investimentos, com a missão agora de obter o voto de confiança do Congresso.
A equipe de governo de Miralles gerou a primeira polêmica no momento em que assumiu o cargo, depois que o primeiro escolhido para liderá-la, Hernando de Soto, foi descartado dois dias após ser anunciado por divergências com o presidente do Peru, José Bálcazar, oitavo chefe de Estado em dez anos.
As investigações que envolvem a equipe de governo de Miralles atingem os novos titulares das pastas de Justiça, Habitação, Interior e Educação e abrangem crimes que vão desde falsificação e conluio agravado até genocídio, segundo informou a imprensa peruana com base em suas declarações juramentadas. O ministro do Interior, Hugo Begazo, está sob investigação por suposta falsificação de um documento público. Ele é acusado de ter assinado uma declaração juramentada a favor da reestruturação de uma delegacia do distrito de Santa Anita, em Lima, quando era responsável pela Polícia. O ministro da Justiça, Luis Enrique Jiménez Borra, acumula até três investigações no Ministério Público, uma delas por conluio agravado e outras duas por abuso de poder, além de outras três que acabaram sendo arquivadas. Além disso, ele teve vários processos por infrações ao código de ética na administração, que resultaram em processos disciplinares. O mais prolífico de todos eles é o ministro da Habitação, Wilder Alejandro Quilcate, com até seis processos abertos por usurpação de funções, uso indevido do cargo ou lavagem de dinheiro.
A nova titular do Meio Ambiente, Nelly Paredes del Castillo, está sendo investigada por possível omissão de funções e por um crime de genocídio, em relação à sua suposta responsabilidade como ministra do Desenvolvimento Agrário durante o mandato da ex-presidente Dina Boluarte, na onda repressiva dos protestos de 2022 e 2023 que deixaram mais de cinquenta mortos.
DENÚNCIAS ARQUIVADAS Por outro lado, o ministro da Educação, Erfurt Castillo, foi denunciado em 2013 por uma suposta agressão sexual, embora o caso tenha sido arquivado. Enquanto isso, o ministro da Economia, Gerardo López Gonzáles, afirmou não ter nenhuma denúncia em vigor, embora tenha dito ter conhecimento de investigações que o acusam de crimes fiscais, mas das quais dispõe de “informações detalhadas”.
A todos eles se soma uma série de ministros com denúncias arquivadas de todos os tipos, como os casos dos ministros da Saúde, Luis Napoleón Quiroz, em um caso de suborno; da Cultura, Fátima Altabas; da Produção, César Quispe Luján, que chegou a ter até dez processos abertos.
A própria Miralles, além deste processo aberto por crimes ambientais, já foi investigada por lavagem de dinheiro e outros crimes de corrupção.
A nova primeira-ministra terá que enfrentar nos próximos dias o voto de confiança do Congresso, onde algumas forças parlamentares já adiantaram que não o concederão, após a saída surpreendente de Hernando de Soto, que responde, segundo eles, a uma nova “distribuição mafiosa” do poder.
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