Publicado 21/06/2026 08:49

Pelo menos 27 bloqueios de estradas continuam em vigor, apesar do estado de exceção declarado na Bolívia

Cerca de vinte pessoas morreram desde o início dos protestos, há 52 dias

Remoção de escombros em um dos pontos de bloqueio desobstruídos pelas forças de segurança em El Alto, na Bolívia
Europa Press/Contacto/Abad Miranda/Jna Press

MADRID, 21 jun. (EUROPA PRESS) -

Pelo menos 27 bloqueios rodoviários continuam em vigor nas estradas da Bolívia, apesar da declaração do estado de exceção e do otimismo do governo, que chegou a um acordo com uma das principais forças da mobilização, a Central Operária Boliviana (COB).

Os 27 bloqueios constam no portal de Transitabilidade da Administradora Boliviana de Rodovias, subordinada ao Ministério de Obras Públicas, Serviços e Habitação da Bolívia, um número inferior aos 40 bloqueios registrados no sábado e aos 47 da sexta-feira.

O ministro de Obras Públicas, Mauricio Zamora, destacou que os bloqueios diminuíram em pelo menos 60% em relação à centena registrada no auge do conflito.

“Seguindo o mandato do presidente e com o compromisso de devolver a tranquilidade às famílias bolivianas, avançaremos unidos até recuperar a normalidade em todo o território nacional”, explicou Zamora em uma mensagem publicada nas redes sociais.

Após o acordo com a COB, outras organizações mobilizadas, como a Federação Sindical Única dos Trabalhadores Rurais de La Paz “Túpac Katari” e a Federação Departamental das Mulheres Camponesas Indígenas Originárias de La Paz “Bartolina Sisa”, anunciaram uma pausa nos protestos e a convocação de uma (assembleia) extraordinária de emergência para segunda-feira, em La Paz.

No encontro, participarão representantes das 20 províncias para analisar a situação interna da organização, avaliar o panorama nacional e departamental e tomar decisões em defesa da unidade e da institucionalidade do setor, explicaram.

O comunicado rejeita o acordo firmado entre o Governo e a COB, também assinado pela Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Rurais da Bolívia (CSUTCB), argumentando que as decisões foram tomadas sem consulta prévia às bases provinciais.

“Tudo foi resolvido a portas fechadas. Eles foram negociar sem nossa participação e sem nosso consentimento, com o argumento de tratar da situação de nossos irmãos detidos, que constituem a grande maioria nas províncias, nunca nos pediram nossas listas de detidos, nem nos perguntaram o que exigíamos, nem quais eram nossas prioridades em relação aos nossos detidos, presos, sob custódia preventiva, feridos e falecidos”, argumenta.

APROVAÇÃO DO ESTADO DE EXCEÇÃO

Enquanto isso, na noite de sábado, a Assembleia Legislativa Plurinacional da Bolívia aprovou o Decreto Supremo 5.636 do presidente Rodrigo Paz para a declaração do estado de exceção, após uma longa sessão marcada por críticas ao vice-presidente Edmand Lara, que se declarou contrário ao estado de exceção.

O decreto foi finalmente aprovado às 2h36 da madrugada — 8h36 na Espanha peninsular — com uma ampla maioria de dois terços, após várias contestações processuais e grande tensão política.

As primeiras intervenções centraram-se no vice-presidente e presidente da Assembleia, Edman Lara, que deu início à sessão quando ainda faltavam vários deputados, que foram chegando gradualmente. Lara argumentou que era obrigatório realizar a sessão da Assembleia dentro de 24 horas após a publicação do decreto presidencial. “Não concordo com o estado de exceção; no entanto, sou obrigado a cumprir a lei”, explicou.

Quando os grupos Libre e APB Súmate se preparavam para apoiar a medida e, assim, confirmar a maioria favorável, Lara abandonou a sessão alegando indisposição, o que também foi alvo de críticas.

A sessão foi encerrada com um minuto de silêncio em memória das mais de 20 pessoas que perderam a vida durante os 52 dias de conflito e bloqueios convocados para exigir a renúncia do presidente Paz e contra suas políticas neoliberais.

O governo afirma que grande parte das reivindicações de caráter social foi atendida por meio de processos de diálogo e acordos, por isso considera que os bloqueios persistentes respondem principalmente a interesses políticos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado