VALÊNCIA, 23 jun. (EUROPA PRESS) -
O Oceanogràfic de Valência registrou o nascimento de duas filhotes gêmeas de leão-marinho-californiano (Zalophus californianus), um acontecimento “pouco comum” nessa espécie e do qual existem “muito poucos registros” em zoológicos internacionais. As crias nasceram no último dia 31 de maio, durante um parto que transcorreu “normalmente” e no qual se passaram cerca de duas horas entre o nascimento de ambas.
Conforme informado pelo Oceanogràfic em um comunicado, ambos os filhotes nasceram em apresentação caudal — comumente conhecida como “de cauda” —, uma circunstância que pode dificultar o parto. No entanto, a mãe concluiu todo o processo “de forma natural e sem necessidade de intervenção veterinária”.
A literatura científica registra “muito poucos partos múltiplos” em pinípedes e apenas alguns casos isolados de leões-marinhos-da-Califórnia em zoológicos do Japão, da Alemanha ou do Reino Unido nas últimas décadas.
“O nascimento de gêmeos em leões-marinhos é algo excepcional. Sempre se ouve falar de casos isolados, mas são muito raros e nós nunca havíamos vivenciado uma situação assim”, explicam os cuidadores do Oceanogràfic (CACSA-GVA), que acompanharam o parto e a evolução posterior dos animais.
Os especialistas destacam que, biologicamente, as fêmeas dessa espécie estão adaptadas para criar apenas uma cria por gestação; portanto, um parto duplo representa um “grande desafio” tanto para a mãe quanto para os recém-nascidos.
Nas primeiras semanas, o principal objetivo da equipe técnica foi verificar se as crias se alimentavam “corretamente”, se a mãe mantinha o vínculo com ambas e se a recuperação após o parto evoluía “normalmente”. “O mais importante é ver que ela aceita as duas crias, que as amamenta e que há uma interação normal entre elas”, explicam os tratadores.
Atualmente, os três permanecem em uma área de manejo interno, onde a equipe pode supervisionar seu comportamento a todo momento. Os profissionais do Oceanogràfic monitoram especialmente indicadores como a amamentação, a mobilidade, a vocalização das crias e o comportamento da mãe.
Eles também monitoram a alimentação e a recuperação física da fêmea após o esforço biológico que representa criar simultaneamente dois filhotes. Nas próximas semanas, e dependendo da evolução da mãe e das habilidades de natação dos filhotes, os tratadores avaliarão sua incorporação “progressiva” a espaços visíveis ao público.
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