ADMINISTRADORA BOLIVIANA DE CARRETERAS
Pelo menos cinco feridos e 47 detidos durante a tentativa de desbloqueio
MADRID, 17 maio (EUROPA PRESS) -
A capital da Bolívia, La Paz, continua cercada por sindicatos e organizações sociais que montaram bloqueios nos principais acessos à cidade, apesar das intensas operações militares e policiais para tentar liberar essas vias.
Na madrugada de domingo — meio-dia na Espanha — ainda havia 22 pontos de bloqueio, a grande maioria no departamento de La Paz, de acordo com o mapa de trânsito da Administradora Boliviana de Carreteras (ABC).
Às 02h00 de sábado, teve início uma operação policial e militar de desbloqueio denominada Corredor Humanitário. Os agentes e militares utilizaram meios de controle de distúrbios e não armas letais em sua ofensiva, que resultou em pelo menos 47 detidos e cinco feridos, segundo o balanço da Defensoria do Povo.
Finalmente, e após treze horas de ações de desbloqueio, o governo ordenou a retirada dos militares e policiais com as rodovias ainda bloqueadas.
O Defensor do Povo, Pedro Callisaya, destacou que a instituição está monitorando o cumprimento dos direitos humanos por meio de verificações em delegacias, hospitais e locais de intervenção das forças de segurança.
FERIDOS E AGRESSÕES À IMPRENSA
Entre as pessoas feridas, há vítimas com lesões oculares e faciais que receberam atendimento médico. Além disso, ocorreram casos de agressões e impedimentos ao trabalho da imprensa, bem como confrontos entre grupos mobilizados e moradores em alguns pontos de bloqueio.
Callisaya ressaltou que o direito de protesto deve ser exercido de forma pacífica e que toda intervenção estatal deve reger-se pelos princípios de legalidade, necessidade e proporcionalidade no uso da força. Além disso, ele fez um apelo ao diálogo como mecanismo para a resolução de conflitos sociais.
“Temos exortado de forma permanente e incansável ao diálogo. Hoje, diante do clima de tensão que o país vive, convocamos novamente as partes a dialogarem de maneira sincera, profunda e humana”, afirmou em declarações divulgadas pela emissora Erbol.
Enquanto isso, grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales iniciaram uma marcha pelo altiplano boliviano com o objetivo de chegar à sede do governo na próxima segunda-feira e exigir ali a renúncia do presidente, Rodrigo Paz.
Justamente, o governo convocou para este domingo representantes da Federação das Juntas de Vizinhança de El Alto, da Federação Departamental Única dos Trabalhadores Rurais de La Paz Túpac Katari, da Federação Departamental das Mulheres Camponesas Indígenas Originárias Bartolina Sisa e de outros setores sociais para uma reunião na Casa Grande do Povo. O próprio presidente Paz estará presente no encontro, garantiu o porta-voz presidencial, José Luis Gálvez.
Justamente Gálvez destacou que a operação Corredor Humanitário cumpriu seu objetivo de permitir a entrada de alimentos, combustíveis, oxigênio medicinal e medicamentos, considerados “suprimentos essenciais” para a cidade de La Paz. Uma vez alcançado esse objetivo, explica ele, foi ordenado que policiais e militares se retirassem para suas unidades, a fim de evitar confrontos e atos de violência.
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