Publicado 24/05/2026 02:47

Paz alerta que os protestos e bloqueios ameaçam a transição democrática na Bolívia

Archivo - Arquivo - 20 de junho de 2025, São Petersburgo, Rússia: A bandeira nacional da Bolívia, tremulando ao vento em um mastro em São Petersburgo, Rússia.
Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov

MADRID 24 maio (EUROPA PRESS) -

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, alertou que a onda de protestos e os bloqueios de estradas que há semanas afetam diversas regiões do país representam um desafio para o processo de transformação democrática e econômica que seu governo pretende impulsionar, em um contexto marcado pela tensão social e pela crise econômica.

Em entrevista concedida à Bloomberg, o presidente boliviano destacou que a situação atual coloca à prova a estabilidade institucional do país em plena transição para um modelo mais aberto ao exterior e ao investimento privado.

As mobilizações, que já completam quatro semanas, dificultaram o abastecimento de alimentos, combustível e suprimentos médicos para La Paz e a cidade vizinha de El Alto. Uma situação que o Executivo tenta contornar por meio da abertura de canais de negociação com os setores mobilizados, enquanto as forças de segurança continuam agindo para desobstruir algumas vias, recorrendo, em determinados casos, ao uso de gás lacrimogêneo.

“Há muitos interesses internos e externos em fazer fracassar esta democracia e gerar desordem regional”, afirmou Paz da sede presidencial em La Paz. Na mesma linha, o chefe de Estado boliviano, que assumiu o poder em novembro após duas décadas de governos socialistas, insistiu que a crise atual “coloca em questão a viabilidade da democracia na Bolívia”.

Nesse contexto, o Executivo boliviano convocou para este domingo uma reunião com a federação de agricultores de La Paz com o objetivo de avançar em uma saída negociada para os atuais protestos e bloqueios.

Além disso, um conselho socioeconômico integrado por representantes de diferentes setores realizará na quarta-feira um encontro para analisar iniciativas econômicas ligadas a áreas estratégicas como petróleo, gás, mineração, lítio e investimento.

Paz demonstrou confiança de que ambos os encontros permitirão reduzir a tensão, embora tenha lembrado que a Constituição prevê o uso da força pública em determinadas circunstâncias.

Por sua vez, os manifestantes, entre eles agricultores, sindicatos e apoiadores do ex-presidente Evo Morales, exigem a saída do presidente, ao considerarem que ele não conseguiu reverter a grave situação econômica do país após meio ano de governo.

A esse respeito, Paz lamentou que “o passado não queira ceder lugar ao presente e ao futuro”. “Isso faz parte do conflito que estamos vivendo”, declarou, em alusão ao que considerou setores relutantes em permitir que a Bolívia avance em seu processo de mudança política e econômica.

Apesar do clima de conflito, o presidente garantiu que mantém sua aposta em transformar o país antes de concluir seu mandato, com o objetivo de reduzir o déficit fiscal, consolidar uma economia mais aberta, fortalecer a segurança jurídica e diminuir as tensões sociais e raciais.

“Nosso governo representa o encerramento de um ciclo de gestão dos últimos 20 anos”, afirmou. “Essa transição não será fácil, mas está claro que é o caminho certo para liberar as forças produtivas da Bolívia”, concluiu.

Manifestações e bloqueios marcaram as últimas semanas neste país andino, embora a polícia boliviana tenha anunciado que conseguiu abrir um corredor para liberar pelo menos 70 caminhões-tanque carregados com gasolina e diesel que estavam retidos na fábrica da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) em Senkata, em El Alto, e que servirão para distribuir combustível aos postos de gasolina de La Paz e El Alto, conforme noticiado pelo jornal boliviano 'La Razón'.

Diante dessa situação e após uma série de mudanças no gabinete de Paz, o próprio Executivo negou nesta sexta-feira que as recentes modificações respondam a uma crise interna e defendeu que se trata de uma reorganização pontual decidida pelo presidente do país no âmbito de suas atribuições constitucionais.

As mobilizações continuam marcando a atualidade sociopolítica da Bolívia, onde indígenas, camponeses e sindicalistas chegaram a cercar La Paz para exigir a renúncia de Rodrigo Paz como presidente, em meio a uma conjuntura que já registra quatro mortes e mais de uma centena de detidos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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