MADRID 3 jun. (EUROPA PRESS) -
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou que o país enfrenta “a batalha das batalhas” e relacionou os fortes protestos que vêm ocorrendo nas últimas semanas aos grupos do narcotráfico, aos quais acusou de “alimentar mobilizações e ações” contra a Constituição.
“Não é de se estranhar que, nas regiões produtoras de narcóticos, tenham sido capturados portadores de recursos financeiros que, em alguns casos, foram destinados a alimentar mobilizações e ações contra nossa democracia, nossa Constituição e o bem-estar dos bolivianos”, afirmou nesta quarta-feira.
Paz se expressou nesses termos durante a cerimônia de posse do novo ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, que tem pela frente a difícil tarefa de levantar a centena de bloqueios, principalmente em La Paz e El Alto, que há mais de um mês vêm pressionando o presidente a renunciar.
No entanto, Paz quis diferenciar esses grupos que buscam impedir a construção de uma “nova Bolívia” das organizações civis e sindicais que expressam legitimamente suas reivindicações, às quais convocou para uma mesa de diálogo. “Agora depende deles”, disse.
Assim, ele garantiu que dispõe de provas que sustentam tanto as acusações sobre o uso de recursos provenientes dessas zonas para financiar os protestos, quanto a responsabilidade nos mesmos de colaboradores próximos do ex-presidente boliviano, Evo Morales, segundo o jornal “El Deber”.
Além disso, denunciou a presença de interesses estrangeiros para alimentar os protestos, especialmente por meio das redes sociais. “Isto é uma guerra, isto é uma invasão contra a Bolívia”, afirmou, referindo-se às “mentiras” que circulam na internet, tanto localmente quanto “em massa” a partir do exterior.
“Cada mentira racial, cada mentira de divisão, está prejudicando a Bolívia (...) e nossos símbolos nacionais; todos nós somos bolivianos”, expressou Paz, que pediu aos manifestantes que permitam a entrada de medicamentos, combustíveis e alimentos de primeira necessidade nas populações afetadas.
Diante da situação atual, Paz encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto de lei para fortalecer as instituições, entre elas as Forças Armadas, e dotá-las de maior segurança jurídica, incluindo medidas como o estado de exceção, embora tenha enfatizado que seu governo estende a mão para o diálogo.
Paz também sinalizou que a chegada de Justiniano ao Ministério da Defesa não será a única mudança prevista em seu gabinete, já que o ministro do Trabalho, Edgar Morales, deixou o cargo por iniciativa própria há uma semana, depois que o próprio presidente anunciou uma reforma ministerial.
“Esta é a batalha das batalhas. Ou transformamos a pátria rumo a um destino institucionalizado, sem corrupção e com o narcotráfico encurralado, ou voltamos a um passado onde vale tudo”, advertiu.
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