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Ele rejeita as críticas de Caracas após sua suspensão da ALBA por ter dito que Venezuela, Nicarágua e Cuba não são "democráticas".
MADRID, 29 out. (EUROPA PRESS) -
O presidente eleito da Bolívia, Rodrigo Paz, criticou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que recentemente o acusou de atacar "países dignos" na América Latina para justificar a suspensão de Sucre da organização pela Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), prometendo que o país estará "do lado da democracia e da liberdade".
"A única coisa digna, Sr. Maduro, é que nosso povo viva em paz. Com trabalho, saúde e educação. Vamos construir um país melhor para todos os bolivianos: sem ódio, sem divisão e sem perseguição", disse Paz em sua conta na rede social X em resposta às críticas do presidente venezuelano.
"Essa é a dignidade que vamos recuperar, sempre ao lado da democracia e da liberdade. A Bolívia representa esses valores. O senhor, Sr. Maduro, representa o oposto", acrescentou, sem que o presidente venezuelano respondesse às declarações de Paz por enquanto.
Da mesma forma, o gabinete do presidente eleito da Bolívia publicou um comunicado em X no qual ele enfatiza que "os povos protegem, as ditaduras exilam". "Quando eu era criança, recebi a proteção do povo venezuelano diante da perseguição de minha família pelas ditaduras. Serei eternamente grato ao bravo povo da Venezuela", disse Paz.
O próprio Paz disse, após sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais, que não convidaria os presidentes da Venezuela, Nicarágua e Cuba para sua posse, marcada para 8 de novembro, argumentando em uma entrevista à rede americana CNN que esses países não são "democráticos".
"Somos um país democrático. Embora existam relações diplomáticas a serem respeitadas, porque há pré-condições, nosso relacionamento é baseado na democracia", disse ele, antes de enfatizar que não considera esses três países "democráticos". "Claramente, eles não são democráticos. Eu não gostaria que meu país fosse nenhum desses três", concluiu.
"Não vou apresentar ideologia ao meu povo, mas soluções para o emprego, para a economia, para os hidrocarbonetos. O povo tem que comer, tem que se mobilizar, tem que produzir, tem que gerar comércio, e é claro que eu vou definir tudo o que é bom para o país", disse ele, antes de acrescentar que "não vê isso" com esses três países.
Em seguida, a ALBA anunciou a decisão de "suspender o governo de extrema direita que será instalado no Estado Plurinacional da Bolívia porque sua conduta antibolivariana, antilatino-americana, pró-imperialista e colonialista não está de acordo com os princípios dessa aliança". "Essa suspensão não afeta os laços permanentes, afetivos e solidários que mantemos com o povo boliviano, com o qual continuaremos a trabalhar e a acompanhá-lo em seu desenvolvimento e bem-estar", disse ele.
"Expressamos que as declarações públicas emitidas contra Cuba, Venezuela e Nicarágua pelo governo de extrema-direita são totalmente inaceitáveis, pois desconsideram os princípios de respeito, soberania e cooperação que sustentam a integração dos povos de Nossa América e os valores fundadores da aliança", enfatizou, e acrescentou que "essa medida de suspensão será mantida enquanto as condições políticas na Bolívia forem avaliadas".
Em seguida, Maduro enfatizou na segunda-feira em seu programa semanal 'Con Maduro +', transmitido pela rede de televisão estatal venezuelana Venezolana de Televisión, que Paz "é um tipo anti-bolivariano, anti-Sucre - em referência a Antonio José de Sucre, um militar venezuelano associado a Simón Bolívar que foi presidente da Bolívia entre 1826 e 1828 -, pró-colonialista e pró-imperialista". "Estou apenas lhe dizendo. Veja você mesmo, quem se mete com a Venezuela, Sr. Rodrigo Paz, se seca", disse o presidente, que acrescentou que os laços com a Bolívia "são indissolúveis".
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