Publicado 17/08/2026 08:36

O partido russo contrário à guerra na Ucrânia denuncia que 35 pessoas foram detidas antes do recurso ao Supremo Tribunal

RÚSSIA, MOSCOU – 14 DE AGOSTO DE 2026: O presidente do Partido Yabloko, Nikolai Rybakov, chega ao prédio da Suprema Corte da Rússia para interpor recurso contra a decisão do tribunal que cancelou o registro do partido antes das eleições para a Duma Estata
Europa Press/Contacto/Sergei Bulkin

MADRID 17 ago. (EUROPA PRESS) -

O partido russo Yabloko, única formação política contrária à guerra na Ucrânia que, inicialmente, iria se candidatar às eleições legislativas de meados de setembro e cuja participação foi vetada pela Suprema Corte, denunciou que pelo menos 35 pessoas foram detidas quando tentavam comparecer à audiência de apelação perante esse tribunal superior, que analisa denúncias de financiamento irregular.

“Pelo menos 35 pessoas que compareceram à audiência pública do caso Yabloko podem ter sido detidas nas proximidades do Supremo Tribunal”, informou o partido liderado por Nikolai Ribakov, que participou pessoalmente nesta segunda-feira da audiência judicial que decidirá sobre sua participação nas eleições.

Segundo Ribakov, entre os detidos está Viktor Balabanov, candidato à Duma Estatal por essa formação política. Ao mesmo tempo, ele destacou que policiais visitaram os participantes da sessão anterior durante toda a semana para lhes dar advertências e pediu a libertação de todos os detidos e o fim da intimidação contra os simpatizantes do partido.

Por sua vez, o Yabloko vem divulgando informações sobre a audiência judicial em suas redes sociais, na qual o próprio líder do partido defendeu que “não há motivo algum” para excluir seus candidatos, ressaltando que as denúncias de suposto “financiamento estrangeiro” são uma “mentira”.

“Publicamos e apresentamos oficialmente à Comissão Eleitoral Central materiais que mostram outros partidos publicando imagens geradas por IA em seus sites oficiais. Mostramos capturas de tela de partidos que infringiam os direitos autorais, exatamente o que se acusava o Yabloko. Além disso, a acusação de que supostamente compramos publicidade no valor de 88 milhões de rublos (900.000 euros) desmoronou diante dos nossos olhos”, afirmou.

“TODOS OS PARTIDOS DEVERIAM SER DESQUALIFICADOS DAS ELEIÇÕES”

Nesse sentido, Ribakov ressaltou que, se se seguir a mesma lógica, “todos os partidos deveriam ser desqualificados das eleições”. “Especialmente o Rússia Unida. E as eleições serão canceladas”, disse ele sobre a formação do presidente russo, Vladimir Putin.

“Nossa posição é a seguinte: ou o Yabloko seja readmitido nesta sessão, ou todos os partidos sejam desqualificados”, afirmou ele na sessão de apelação, na qual o partido luta para permanecer na cédula eleitoral.

Ribakov destacou que a rejeição de sua candidatura coloca em dúvida se na Rússia existem “instituições estatais capazes de se manter dentro do marco legal, mesmo em tempos de crise e adversidade” ou se “o marco jurídico está sendo desmantelado irrevogavelmente em favor de interesses de curto prazo”.

Assim, ele denunciou que, com a sentença do último dia 10 que os retirou das eleições, “milhões de cidadãos russos foram privados de seu direito constitucional ao voto”. “A lista federal do partido Yabloko foi excluída das eleições para a Duma Estatal. E isso foi feito com tanta leviandade, com um desrespeito tão flagrante pelos fundamentos do direito russo, que qualquer pessoa que se preocupe com o futuro do nosso país sente inevitavelmente uma profunda preocupação com a própria estabilidade do nosso Estado”, afirmou.

Dessa forma, ele alertou que os oponentes do partido socioliberal “estão destruindo os próprios alicerces do sistema jurídico russo”. “Estão minando a confiança nas instituições fundamentais, incluindo a Comissão Eleitoral Central e a máxima autoridade judicial”, lamentou.

O partido ultraconservador Rodina denunciou, há alguns dias, o Yabloko por supostamente financiar sua campanha com recursos provenientes do exterior, inclusive do magnata russo Mikhail Khodorkovsky, que consta na “lista negra” de Moscou por supostas atividades terroristas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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