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A formação correísta denuncia que o governo de Noboa quer eliminar a oposição e classifica o Executivo como uma “ditadura” MADRID 7 mar. (EUROPA PRESS) -
Um juiz do Tribunal Contencioso Eleitoral do Equador suspendeu por um período de nove meses o partido opositor Revolução Cidadã do registro de organizações políticas do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) no âmbito do caso “Caja Chica”, no qual se investiga se dirigentes do partido teriam recebido dinheiro da Venezuela para financiar a campanha de 2023.
“Consequentemente, com base na análise, decide-se pela suspensão provisória por um período de nove (9) meses da organização política Movimento Político Revolução Cidadã, Lista 5, no registro permanente de organizações políticas”, indica a decisão do juiz Joaquín Viteri.
A não pertença a esta lista implica a inabilitação do partido para participar em processos eleitorais, o que tem suscitado críticas contundentes por parte do entorno da formação correísta.
“A intenção (da decisão judicial) é evidente: impedir que participemos com nossa chapa nas próximas eleições seccionais, uma vez que o período de suspensão que pretendem impor coincide com o processo de inscrição de candidaturas”, diz um comunicado emitido pela Revolução Cidadã nas redes sociais.
Assim, segundo a oposição, a decisão poderia impedir a participação normal da Revolución Ciudadana nas próximas eleições seccionais, nas quais serão eleitos prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e outras autoridades locais e regionais, já marcadas para fevereiro de 2027.
Nesse sentido, eles denunciaram que o governo de Daniel Noboa busca “eliminar a oposição” e “silenciar” “qualquer um que ouse levantar a voz”. “Alguém ainda duvida que vivemos em uma ditadura? Nenhum jornalista, acadêmico, força política ou ator social que se diga defensor da democracia pode ficar em silêncio diante de uma aberração judicial como esta”, afirma o comunicado.
“Avisamos: a ditadura de Daniel Noboa instala um regime de terror no país mais inseguro e violento do continente e agora ordena a proscrição da Revolução Cidadã de forma ilegal e irregular em plena campanha eleitoral”, afirmou a recém-eleita presidente da formação, Gabriela Rivadeneira, em uma mensagem nas redes sociais.
No final de janeiro, o Ministério Público do Equador invadiu as residências de Luisa González — ex-candidata à presidência — e de outros membros do partido da oposição em busca de provas do caso “Caja Chica”, entre um total de oito pessoas investigadas pelo suposto financiamento irregular da campanha para as eleições de 2023, nas quais González perdeu no segundo turno para o agora presidente, Daniel Noboa.
González denunciou as ações do Ministério Público e alegou que as autoridades equatorianas querem “encobrir a corrupção” do governo. “A Revolução Cidadã e Luisa González não recebemos um único centavo da Venezuela, de nenhum cartel, nem de ninguém”, defendeu.
Este é o segundo caso aberto contra a campanha de González, que deixou de ser secretária-geral do partido em 18 de janeiro. No mesmo dia, ela recebeu uma notificação do Tribunal Contencioso Eleitoral (TCE) por supostas infrações no financiamento e nas despesas eleitorais durante a campanha.
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