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MADRID, 23 jul. (EUROPA PRESS) -
O Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou uma reclamação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o pré-candidato Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, seja punido, por declarações feitas nesta semana nas quais questionava a confiabilidade do sistema eleitoral, a três meses das próximas eleições.
O PT solicitou ao TSE que aplique a Flávio uma multa de 30.000 reais (aproximadamente 5.000 euros) e que ordene tanto a ele quanto a outros dois deputados do Partido Liberal que retirem de suas redes sociais uma série de publicações que abordam essas acusações, que já foram desmentidas pelo próprio órgão eleitoral.
As mensagens fazem alusão a relatórios dos serviços de inteligência dos Estados Unidos sobre a suposta capacidade do governo venezuelano de manipular os sistemas eletrônicos de votação em seu país, que datam de 2004 a 2020.
Em sua petição apresentada ao TSE, o PT ressalta que “não há nenhuma referência ao sistema eleitoral brasileiro” nesses relatórios, o que é “deliberadamente omitido ou tirado do contexto” por essas pessoas, pois, se isso fosse explicado, “tornaria impossível semear dúvidas sobre o processo eleitoral nacional”.
É por isso que o partido exige que Flávio e Eduardo Bolsonaro, bem como os deputados Gustavo Gayer e Julia Zanatta, “se abstenham imediatamente de reiterar, republicar ou divulgar, por qualquer meio”, essa suposta associação entre a empresa venezuelana em questão, a Smartmatic, e as urnas eletrônicas brasileiras.
A denúncia surge depois que, nesta semana, assim como fez o ex-presidente Bolsonaro em 2022, Flávio Bolsonaro reuniu dezenas de diplomatas e representantes estrangeiros para alertá-los sobre os supostos riscos que pairam sobre as eleições de outubro deste ano.
Flávio afirmou durante o encontro que “muitas” das urnas eletrônicas utilizadas no Brasil foram fabricadas pela empresa venezuelana Smartmatic, denunciada pelas autoridades americanas por seu envolvimento em uma suposta fraude eleitoral de 2012 na Venezuela.
No entanto, o TSE se apressou em desmentir a afirmação e negou que qualquer uma das urnas eletrônicas tivesse qualquer relação com essa empresa, ressaltando que é a própria instituição que se encarrega de conceber e gerenciar o sistema de votação.
Diante da repercussão, a equipe de campanha de Flávio se pronunciou para esclarecer suas palavras e explicou que nunca colocou em dúvida a integridade do sistema eleitoral e que se limitou apenas a mencionar esse relatório das autoridades dos Estados Unidos e a necessidade de que o maior número possível de observadores participasse dessas eleições.
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