Publicado 01/07/2026 14:53

O Parlamento israelense avança na limitação do uso de alto-falantes nas mesquitas

Archivo - Arquivo - 21 de outubro de 2024, Israel, Be'eri: O ministro da Segurança Nacional de Israel e político de extrema direita Itamar Ben-Gvir profere um discurso durante um encontro por ocasião do Sucot, próximo à Faixa de Gaza, onde ativistas de ex
Ilia Yefimovich/dpa - Arquivo

MADRID 1 jul. (EUROPA PRESS) -

O Parlamento israelense, a Knesset, aprovou nesta quarta-feira, em primeira leitura, um projeto de lei promovido pelo partido de extrema direita do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, que endurece as restrições ao uso de alto-falantes nas mesquitas, o que seus críticos consideram uma tentativa de discriminar a minoria muçulmana do país.

A Câmara aprovou, com 50 votos a favor e 36 contra, uma iniciativa apresentada pelo deputado Zvika Fogel, do partido de extrema direita Otzma Yehudit (Poder Judaico), que exigiria que as mesquitas obtivessem autorizações para utilizar alto-falantes, além de autorizar a polícia a entrar nesses locais de culto para coibir possíveis infrações e aplicar multas administrativas em caso de descumprimento, que variam entre 10.000 e 50.000 sékels (2.900 a 4.400 euros).

Os defensores do projeto — que deve passar por debates em comissão e outras três votações antes de se tornar lei — enfatizam que o objetivo é coibir o “ruído excessivo”, uma vez que os muezins utilizam alto-falantes nas mesquitas para fazer a chamada para a oração cinco vezes ao dia.

De fato, Fogel afirmou perante o plenário que sua proposta não é uma “questão política”. “Assim como a lei se aplica a salas de eventos, empresas privadas, fábricas e locais de culto de todos os tipos, ela também deve ser aplicada aqui com a mesma severidade”, considerou.

Ben Gvir, por sua vez, comemorou o resultado da votação e denunciou que os moradores de áreas próximas às mesquitas vêm sofrendo com ruído excessivo há anos. “Durante anos e anos reinou a anarquia. A governança começa com o ruído”, destacou, segundo o ‘The Jerusalem Post’.

Os críticos do projeto de lei, que incluem partidos da oposição e formações árabes, denunciam que a iniciativa é direcionada, na prática, a cidadãos árabes e muçulmanos e que atenta contra a liberdade religiosa e de culto.

Nesse sentido, o presidente do partido árabe-israelense Lista Árabe Unida, Mansur Abbas, classificou a proposta como “racista e antirreligiosa” e lamentou que uma formação como o Shas (ultraortodoxo) tenha se somado a ela.

“É muito decepcionante e repreensível. Esperávamos que um partido religioso agisse de acordo com o espírito do versículo: ‘Não maltratarás o estrangeiro nem o oprimirás, pois vocês também foram estrangeiros na terra do Egito’”, afirmou em declarações divulgadas pelo portal de notícias Ynet.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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