Publicado 30/03/2026 15:50

O Parlamento israelense aprova a nova lei da pena de morte, que se aplica apenas aos palestinos

A Adalah denuncia que a nova lei "é uma das mais violentas e discriminatórias" da legislação israelense

Archivo - Arquivo - 15 de novembro de 2022, Israel, Jerusalém: Itamar Ben Gvir, deputado israelense de extrema direita do Knesset, participa de uma sessão convocada para a posse do 25º parlamento de Israel (Knesset). Foto: Ilia Yefimovich/dpa
Ilia Yefimovich/dpa - Arquivo

MADRID, 30 mar. (EUROPA PRESS) -

A Knesset, ou Parlamento israelense, aprovou nesta segunda-feira, por 64 votos a 48, a Lei da Pena de Morte para Terroristas, uma reforma legal que prevê a aplicação da pena de morte por enforcamento e em segredo para o crime de terrorismo, mas apenas para palestinos, uma vez que exclui qualquer cidadão israelense, o que tem sido criticado por seu caráter discriminatório.

A norma se aplica apenas aos tribunais militares da Cisjordânia, que julgam exclusivamente acusados palestinos, já que os israelenses, inclusive os colonos, são julgados em tribunais civis.

O texto prevê formalmente que se aplique a toda a população, mas em um de seus artigos especifica que só se aplicará àqueles que “causarem intencionalmente a morte de uma pessoa com o objetivo de negar a existência do Estado de Israel”, uma definição que exclui, na prática, qualquer indivíduo de crenças sionistas, mesmo que tenha cometido atos semelhantes.

Além disso, limita enormemente o poder discricionário do juiz, permite execuções secretas por enforcamento e impõe um regime de isolamento quase total aos condenados à morte.

A lei permite que a pena de morte seja imposta por maioria simples do tribunal e não por unanimidade, como era obrigatório até agora. Além disso, elimina o direito de recurso.

Embora a pena de morte não seja aplicada retroativamente aos detidos nos ataques de 7 de outubro de 2023, a Knesset está tramitando outra iniciativa legislativa que prevê essa punição “a posteriori”.

O projeto de lei foi aprovado em votação após quase doze horas de debate. “É um dia de justiça para as vítimas e um dia de dissuasão para nossos inimigos. Chega de portas giratórias para os terroristas, mas sim decisões claras. Quem escolhe o terrorismo, escolhe a morte”, destacou o ministro da Segurança Nacional e líder do partido de extrema direita Poder Judaico, Itamar Ben Gvir, segundo o jornal ‘The Times of Israel’.

Ben Gvir foi o principal impulsionador da reforma legal, que finalmente recebeu o apoio do partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que esteve presente na votação, e do partido Yisrael Beitenu, da oposição. Os partidos ultraortodoxos Shas e Judaísmo Unido da Torá também apoiaram a lei.

CRÍTICAS DE ORGANIZAÇÕES DE DIREITOS HUMANOS

“Esta lei institucionaliza o assassinato estatal e a sangue frio de indivíduos que não representam qualquer tipo de ameaça. Ela foi concebida para se aplicar apenas aos palestinos, o que viola o princípio fundamental da igualdade e da proibição da discriminação racial”, denunciou o diretor jurídico do Centro Jurídico para os Direitos da Minoria Árabe em Israel, Adalah, Suhad Bishara.

O grupo lembra que aplicar a legislação interna israelense aos palestinos residentes na Cisjordânia “é uma violação flagrante do direito internacional”, pois o Knesset “não tem autoridade para legislar sobre a população ocupada”. Por isso, a Adalah anunciou que recorrerá da norma perante a Suprema Corte de Israel “com caráter de máxima urgência”.

A Adalah denuncia que a nova lei “é uma das mais violentas e discriminatórias” aprovadas em Israel. “Ela viola uma série de normas internacionais e sua aplicação poderia constituir um crime de guerra. Sua aprovação é um novo passo na escalada letal da tortura sistemática contra os palestinos sob detenção israelense, tão amplamente documentada”, destacou a Adalah.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado