Publicado 26/03/2026 08:28

O Parlamento de Honduras destitui definitivamente o procurador-geral, Johel Zelaya

A presidente do Supremo Tribunal apresenta sua "renúncia irrevogável" para evitar um processo de impeachment, mas continuará exercendo suas funções de magistrada

Archivo - Arquivo - Imagem de arquivo de uma bandeira de Honduras.
Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov

MADRID, 26 mar. (EUROPA PRESS) -

O Congresso Nacional de Honduras destituiu definitivamente o procurador-geral do país, Johel Zelaya, após um processo de impeachment aberto por seu suposto envolvimento em irregularidades no exercício de suas funções, conforme vinham denunciando os deputados hondurenhos.

Após a leitura do relatório final elaborado pela Comissão Especial de Impeachment, a Câmara aprovou a destituição de Zelaya com 93 votos a favor. Durante a sessão plenária, o próprio procurador apresentou — em vão — um recurso de inconstitucionalidade contra a lei que regulamenta o processo de destituição em questão e uma nota na qual renunciava a comparecer perante a sessão plenária.

A Comissão Especial de Impeachment contra o Procurador-Geral — criada especificamente para este caso — é composta pelos deputados Mario Pérez, Jorge Cálix, Antonio Rivera, Luz Ernestina Mejía, Kilvett Bertrand, Francis Cabrera, María José Sosa, Alex Berríos e Éder Leonel Mejía.

De acordo com a denúncia, durante seu mandato e especialmente no âmbito do processo eleitoral, incluindo os dias que antecederam as eleições gerais de 2025, a Procuradoria “realizou diversas ações públicas, operacionais e processuais dirigidas contra autoridades do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e do Tribunal de Justiça Eleitoral (TJE)”.

O processo, que buscava determinar as responsabilidades políticas do procurador-geral à medida que o clima no plenário se polarizava, resultou assim em sua saída do cargo, que passará agora para as mãos do advogado Pablo Emilio Reyes. Zelaya, que alegou que o processo se desenrolou “de forma acelerada”, afirmou que este carece de garantias e apresenta “irregularidades”, segundo informações coletadas pelo jornal ‘La Prensa’.

Este caso marca um ponto de inflexão à medida que aumenta o uso desse tipo de processo de destituição em Honduras, em pleno clima de confronto entre grupos políticos, que trocam acusações sobre falta de transparência e irregularidades.

RENÚNCIA DA PRESIDENTE DA SUPREMA

Por sua vez, e durante a mesma sessão plenária, a presidente da Suprema Corte de Justiça de Honduras, Rebeca Ráquel Obando, apresentou sua “renúncia irrevogável” ao cargo com o objetivo de evitar um processo de impeachment contra ela, à medida que eram tomadas as primeiras medidas para dar início a esse processo.

Embora tenha confirmado sua saída da Presidência do tribunal em uma carta de renúncia, ela garantiu que continuará trabalhando como magistrada: “Esta renúncia se refere exclusivamente ao cargo de presidente, pelo que continuarei exercendo minhas funções como magistrada titular da Suprema Corte de Justiça”.

Além disso, explicou que a decisão responde à aprovação de um decreto legislativo que modifica a estrutura de funções dentro do Poder Judiciário, pelo que assegurou que sua saída visa “fortalecer a institucionalidade e permitir que o plenário exerça plenamente suas novas atribuições, enquanto continua atuando como magistrada”.

O deputado Jorge Cálix apresentou Wagner Vallecillo como candidato para sucedê-la à frente da Suprema Corte, agora que sua renúncia foi aceita. A renúncia ocorre em meio a tensões institucionais devido ao debate sobre o funcionamento do sistema judicial hondurenho.

Obando assumiu o cargo em 2023 e tornou-se assim uma figura-chave na estrutura do Estado, com amplas responsabilidades. Durante sua gestão, ela participou de decisões relevantes, em um período caracterizado por constantes acusações e tensões no seio do Poder Judiciário.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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