Publicado 21/01/2026 12:20

O Parlamento Europeu pede à UE uma resposta firme a “qualquer coação” contra os seus Estados-Membros

Sessão plenária do Parlamento Europeu
ALAIN ROLLAND

O Parlamento Europeu manifesta a sua preocupação com a “ingerência” dos EUA na Gronelândia e exige um aumento das despesas com a defesa BRUXELAS 21 jan. (EUROPA PRESS) -

O Parlamento Europeu pediu às instituições da União Europeia que respondam com “firmeza, coletividade e determinação” a “qualquer forma de coerção” contra os Estados-Membros, depois de os Estados Unidos terem ameaçado oito países europeus em retaliação ao seu destacamento militar na Groenlândia, face à ameaça de Donald Trump de assumir o controle da ilha.

Em uma resolução não vinculativa aprovada por ampla maioria nesta quarta-feira no plenário do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França), os eurodeputados denunciaram o uso de “ameaças comerciais unilaterais” e “intimidação econômica” contra a Dinamarca e outros cinco Estados-membros da UE “como forma de coerção”.

No sábado, Trump anunciou que, a partir de 1 de fevereiro, irá impor tarifas adicionais de 10% ao Reino Unido e à Noruega, bem como a outros seis países da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) pela sua participação na “Operação Resistência Ártica” e até que se chegue a um acordo para a compra da Gronelândia.

Trata-se de exercícios promovidos pela Dinamarca, a quem pertence a ilha do Ártico, e que contaram com o apoio dos outros sete países mencionados pelo presidente dos Estados Unidos, que declarou este destacamento, diretamente, como uma “ameaça” à segurança mundial. PREOCUPAÇÃO COM A “INTERFERÊNCIA ESTRANGEIRA” DOS EUA

Após o que consideram “ameaças” dos Estados Unidos, os eurodeputados lamentaram na resolução “a abordagem mais transacional do governo americano em política externa”, marcada por “um menor compromisso com o multilateralismo e a segurança europeia”.

Perante esta situação, apelam à União Europeia no seu conjunto para que aprenda com as suas “vulnerabilidades”, a fim de “evitar ficar exposta a coações no futuro”, com um maior gasto em defesa, a coordenação das capacidades de defesa, bem como uma maior autonomia estratégica.

O Parlamento Europeu também manifesta “sérias preocupações” sobre a “ingerencia estrangeira na Gronelândia”, incluindo ações híbridas e ameaças explícitas dos Estados Unidos “à soberania da Gronelândia”, o que representa um risco para os interesses estratégicos da UE, da OTAN e até mesmo para a ordem baseada em normas.

O texto insta a uma “resposta unificada” dos 27 e apoia a declaração conjunta feita por vários Estados-Membros da UE em 6 de janeiro de 2026, na qual se afirma que o futuro da Gronelândia só pode ser decidido pela Dinamarca e pela Gronelândia.

Além disso, expressa a sua preocupação com a Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos de dezembro de 2025 que, segundo os eurodeputados, “formaliza uma política infundada de considerar a UE, incluindo os seus valores fundamentais, princípios de governação democrática e vários dos seus objetivos fundamentais de segurança, como contrários aos interesses dos Estados Unidos”.

Reconhecendo o papel vital da OTAN e dos Estados Unidos como aliado fundamental da Europa, o Parlamento salienta também a crescente imprevisibilidade e isolacionismo da política externa americana, incluindo o risco de retirada das tropas da Europa. A INFLUÊNCIA DA UE NÃO REFLETE O SEU PODER ECONÔMICO

O texto aprovado no Parlamento Europeu constata que, da Ucrânia ao Cáucaso, passando pelo Médio Oriente e estendendo-se até ao Ártico, a União Europeia enfrenta um “arco de instabilidade” à sua volta, pelo que insta as instituições comunitárias a “não se darem ao luxo” de se retraírem sobre si mesmas.

A UE, segundo defende a resolução, “deve manter-se aberta e comprometida”, enfatizando a sua “visibilidade global e influência política”, que “muitas vezes não estão à altura do seu impacto econômico, financeiro e diplomático”.

Perante esta realidade, um dos relatores da resolução, o eurodeputado alemão do PP David McAllister, afirmou que a UE deve reforçar as suas “alianças globais” e melhorar a sua capacidade de “dissuadir ameaças” e garantir que o alargamento, a política de vizinhança e a cooperação com democracias afins “contribuam para a sua segurança a longo prazo”.

“Ao mesmo tempo, a UE deve aumentar a sua visibilidade, aperfeiçoar a sua representação externa e garantir que os seus instrumentos, desde as sanções até à comunicação estratégica, sejam utilizados de forma eficaz e coerente”, acrescentou.

Outro dos relatores do relatório, o socialista neerlandês Thijs Reuten (S&D, Países Baixos), indicou após a votação que “as circunstâncias atuais não deixam margem para dúvidas” de que “a Europa precisa de uma capacidade de defesa sólida, autónoma e operacional”.

“Devemos ir além dos interesses nacionais de curto prazo e não apenas completar um mercado único de defesa, mas também dar um verdadeiro sentido à cláusula de assistência mútua da UE”, afirmou, reivindicando que “a Europa possa valer-se por si mesma”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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