ALEXANDROS MICHAILIDIS // EUROPEAN COUNCIL
BRUXELAS 26 mar. (EUROPA PRESS) -
O Parlamento Europeu solicitou nesta quinta-feira à Comissão Europeia que realize uma investigação sobre o suposto envolvimento de empresas chinesas em projetos da iniciativa europeia Global Gateway, um programa de investimentos lançado em 2021 com o objetivo de posicionar a UE como alternativa à China no cenário de investimentos globais e contrabalançar seu peso geopolítico.
O documento, aprovado com 371 votos a favor, 146 contra e 80 abstenções, expressa preocupação com informações que indicam que várias empresas chinesas estariam implementando projetos em violação direta do objetivo da iniciativa de apresentar uma opção distinta da Iniciativa da Faixa e Rota da China.
Nesse sentido, os eurodeputados solicitaram ao Executivo comunitário uma “investigação imediata” sobre a participação de todas as empresas chinesas no programa Global Gateway e lamentaram “a falta de clareza e transparência” em questões como o seu financiamento.
Além disso, consideraram que a Comissão deveria abandonar “uma abordagem excessivamente centralizada e verticalista” no planejamento dos projetos do Global Gateway e adotar “uma resposta baseada na demanda que atenda às necessidades” dos países parceiros, promova a participação do setor privado, “ao mesmo tempo em que respeite elevados padrões sociais e ambientais” e se alinhe com “os interesses e valores da UE”.
A estrutura atual da iniciativa, segundo o documento, não tem facilitado que o Parlamento Europeu exerça suas funções de controle nem contribua para a diplomacia parlamentar, razão pela qual considera que “uma maior participação do Parlamento é fundamental para garantir a legitimidade democrática e a transparência do Global Gateway”.
Na opinião dos eurodeputados, a iniciativa lançada em 2021 como um projeto de infraestrutura de 300 bilhões de euros deveria se concentrar em investimentos em energia, matérias-primas críticas e na transição ecológica “para reduzir a dependência da UE de seus rivais estrangeiros”.
Para isso, consideraram que a Comissão deve promover o Global Gateway “de forma eficaz e rápida” como “uma alternativa sustentável às iniciativas agressivas de rivais como a China e a Rússia”.
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